Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 16/10/2019

Por uma outra perspectiva

No prelúdio da contemporaneidade, a globalização tem conduzido o ser humano a caminhos contrários ao conceito de saúde. De um lado, a obesidade e o sobrepeso configuram-se como uma questão de saúde pública que tem atingido expressivamente a população brasileira. Do outro, tal patologia também tem gerado a criação de estereótipos para com os indivíduos por ela afetados.

Em primeiro lugar, é relevante abordar que a era do capitalismo conduz a população hodierna a um estilo de vida marcado pela má nutrição acompanhada do sedentarismo, fatores que contribuem para o aumento de pessoas obesas e acima do peso. De acordo com o Ministério da Saúde, sem distinguir classe ou gênero, só no Brasil, mais de 16% da população sofre com a obesidade e cerca de 50% com o sobrepeso. Diante disso, por não se enquadrarem no padrão criado pela sociedade, esses indivíduos acabam se tornando vítimas do preconceito.

Ademais, vale ressaltar que o estigma do preconceito ainda se faz presente na nação verde e amarela e é refletido através da marginalização dos obesos, devido aos estereótipos criados por uma sociedade que ainda não aprendeu que a obesidade é uma patologia. Nesse contexto, segundo a ABESO - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade - o modo de viver da sociedade moderna tem determinado um padrão alimentar que, aliado ao sedentarismo, em geral não é favorável à saúde da população. Desse modo, faz-se mister a criação de estratégias que contribuam para a superação dos empecilhos causados por essa problemática.

À luz das ideias do célebre sociólogo Émille Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto no qual está inserido. Nessa perspectiva, é condição “sine qua non” a união dos atores da mudança para a construção de um plano de ação que modifique a realidade vigente. Isso se dará através do Estado, com seu caráter abarcativo e socializante, por meio de políticas públicas que objetivem a oferta de campanhas de conscientização visando instruir e orientar a população acerca das problemáticas decorrentes da obesidade. A Mídia – detentora do quarto poder – deve incentivar a prática de exercícios físicos e de técnicas que contribuam para a erradicação dessa mazela, por meio de campanhas publicitárias. Além disso, a Escola, formadora de cidadãos críticos, deve ensinar, através de projetos socioeducativos, a importância do desenvolvimento de uma alimentação balanceada e incluir como obrigatória na grade escolar a prática da educação física. Outrossim,, a Família – célula mater da sociedade – deve transmitir, por meio do diálogo, a construção de hábitos saudáveis. Com isso feito, será possível construir uma nova perspectiva para os brasileiros.