Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 16/10/2019

O termo “Indústria Cultural” foi criado por Adorno e Horkheimer, apresentando uma linha de pensamento apoiada no marxismo, que busca entender os impactos na sociedade em resultado da padronização. Nessa ótica, os meios de comunicação tem um papel decisório sobre a massificação de pensamentos e ideais da sociedade atual. Assim, fora do aparato teórico, pode-se aplicar sua logística na disseminação de um padrão estético brasileiro, gerando preconceito sobre aqueles que estão acima do peso e discussões sobre saúde e obesidade.

Outrossim, Schopenhauer descreve a vontade como o princípio que leva os indivíduos para um ciclo vicioso, no qual, mesmo a suprindo, não garante satisfação pessoal, muito menos que tal anseio não se repetirá outra vez. Dessa forma, seu conceito aplicado na compulsão alimentar de pessoas obesas, revela que a comida, para muitos, pode ser o meio de satisfação que lida com estresses cotidianos. Assim, somado à facilidade de acesso por comidas industrializadas, estes encontram na alimentação  irregular um método para aliviar a ansiedade, gerando, na comida, seu ciclo da vontade.

Ademais, a estética e o preconceito são fatores que corroboram para a problemática. Por analogia, muitos filósofos abordaram a ideia de estética, entre eles Kant, que indagou-a como sendo algo de caráter pessoal, em que a beleza é relativa de acordo com a interpretação sensitível de cada um. Porém, segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, 92% dos brasileiros já praticaram ou presenciaram algum ato de gordofobia. Dessa forma, o “padrão ideal” é difundido na sociedade e o preconceito é impulsionado pela falta de representatividade que os indivíduos acima do peso têm nos meios de comunicação, além de muitos confundirem a saúde com o sobrepeso.

Em suma, é evidente a necessidade do acompanhamento psicológico e nutricional para o combate à obesidade e a presença de maior representatividade midiática. Portanto, o Sistema Único de Saúde deve permitir consultas conjuntas, com psicólogos e nutricionistas, permitindo que a compulsão alimentar e alimentação irregular sejam tratados de maneiras complementares. Além disso, o Governo Federal deve promover propagandas nas mídias sociais, associado a influenciadores digitais fora do padrão estético, exemplificando diferenças entre saúde e sobrepeso, ajudando na autoestima de indivíduos que sofrem preconceito e promovendo a conscientização do problema.