Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 19/10/2019
O modo de vida urbano atual é caracterizado pela praticidade e pelo imediatismo, em que o hábito de andar a pé foi substituído pela locomoção por meio dos transportes e a alimentação saudável e natural foi permutada pelos industrializados e ultraprocessados. Tal modo de vida causou um grave processo de sedentarização da população, que além de praticar pouca —ou nenhuma— atividade física, adotou péssimos hábitos alimentares. Com efeito, em uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde no ano de 2019, constata-se que cerca de um quinto da população brasileira está obesa, condição esta que acarreta em graves problemas na saúde e no campo social do indivíduo, o que acaba por gerar uma drástica redução na qualidade de vida daqueles com obesidade e sobrepeso no Brasil e no mundo.
A priori, cabe analisar os efeitos na saúde acarretados pela obesidade e pelo sobrepeso. No programa “Quilos Mortais”, acompanha-se a vida de pessoas em tais condições, em que grande parte apresenta dificuldades para se locomover e realizar tarefas cotidianas, além de desenvolverem, muitas vezes, doenças como hipertensão, cardiopatias e diabetes tipo 2. Assim, a atração televisiva simula a realidade de cerca de 20% da população brasileira que, como consequência de seus hábitos, apresenta os sintomas decorrentes das doenças crônicas que podem vir a desenvolver, além de uma alta dependência de medicamentos e de terceiros para auxiliá-los em sua sobrevivência. Essa situação acarreta, portanto, em uma significativa perda da qualidade de vida dessas pessoas.
Outrossim, o bullying vivenciado por muitos em quadros de obesidade e sobrepeso é responsável, em grande parte, pela deterioração da vida social destes. Desse modo, segundo Immanuel Kant, os indivíduos devem ser tratados, não como coisas que possuem valor, mas como pessoas que têm dignidade. Entretanto, nota-se que a sociedade brasileira tem ido de encontro ao postulado do filósofo, uma vez que o bullying e a descriminação ferem o campo psicológico do cidadão com problemas relacionados ao peso, o que pode ocasionar na vergonha do ser em relação à sua própria imagem e também na exclusão social. Urge, assim, a necessidade de se combater a prática de bullying.
Sendo assim, são necessárias ações para garantir uma mulher qualidade de vida às pessoas com obesidade e sobrepeso no Brasil. O Ministério da Saúde, em parceria com os mecanismos midiáticos —como a televisão, os jornais e a internet— devem investir em campanhas informativas que apresentem soluções para a problemática da obesidade, estimulando a prática regular de atividades físicas e a adoção de uma alimentação saudável, tendo como efeito a sensibilização da população quanto às complicações advindas de tal condição e o estímulo à mudança de hábito dos brasileiros. Com tais medidas, o Brasil poderá avançar no combate ao crescimento da obesidade e do sobrepeso.