Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 20/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a obesidade e o sobrepeso atinge grande parcela da população brasileira, atuando como barreiras para a concretização dos planos de More. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

A priori, é imperioso destacar que a má influência midiática e os padrões sociais agem como fatores de agravamento para o preconceito. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse viés, a mídia juntamente com as redes sociais, reforçam os padrões de beleza exigidos pela sociedade, fomentando assim, o preconceito social perante os indivíduos que estão fora do arquétipo idealizado, o que gera por consequência a busca por emagrecimento rápido, encontrada em medicamentos que trazem essa promessa ilusória, no qual ao fazer abuso da automedicação pode acarretar problemas graves de saúde. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura social e midiática de forma urgente.       Ademais, é imperativo pontuar que o crescimento da obesidade na população é um problema de saúde pública. Pesquisas do Ministério da Saúde indicam que 12,9% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos são obesas e 18,9% dos adultos estão acima do peso. Em virtude disso, a consequência da problemática é o aparecimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, além do aumento ao risco de doenças cardiovasculares, uma das principais causas de morte no Brasil. Outrossim, o sedentarismo e a má alimentação desde a infância, contribuem para a perpetuação desse quadro deletério. Tudo isso retarda a solução desse empecilho, visto que é negligente a atuação dos setores governamentais no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade. Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde em parceria com postos de saúde de cada região, realize campanhas educativas, agindo de forma domiciliar, com folhetos e dietas básicas para o cotidiano com o propósito de reduzir os hábitos alimentares errôneos. Além de, oferecer atividades gratuitas na comunidade, como danças e esportes para todas as idades, auxiliadas por profissionais qualificados e de no mínimo duas vezes na semana, a fim de introduzir a prática de atividades físicas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo a obesidade e o sedentarismo na população, e a coletividade alcançará a Utopia de More.