Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 19/10/2019
A animação denominada “Wall-e” relata um futuro de sedentarismo e obesidade, em que as pessoas não conseguem se locomover sem o auxílio de máquinas e consomem apenas alimentos processados. Esse filme é sobre um estilo de vida que não está longe da realidade, afinal, segundo o Ministério da Saúde, metade dos brasileiros estão acima do peso ideal. Nesse contexto, no que tange à busca de caminhos para combater a problemática, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude da formação familiar e da má influência midiática.
A princípio, a formação familiar caracteriza-se como um complexo dificultador. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, os maus hábitos alimentares e o sedentarismo apresentam-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas. Sendo assim, o caminho inicial para combater a obesidade no Brasil está em reverter esta mentalidade prejudicial, enraizada nas famílias. Faz-se imprescindível, portanto, que mudanças sejam feitas para mudar esse triste cenário no território brasileiro.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da má influência midiática. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema, incentivando o consumo de alimentos gordurosos e pouco nutritivos. Destarte, de forma análoga a primeira lei de Newton, é necessário que as autoridades competentes realizem uma força para romper com essa inércia social e dessa maneira, alterarem esse quadro preocupante.
Dessa forma, conscientizar a população sobre essa grande influência da mídia nos hábitos alimentares é um dos caminhos para solucionar a problemática. Convém, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a questão da alimentação, auxiliando na conscientização popular sobre a importância do combate à obesidade. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando com o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. Desse modo, o intuito de tais ações é informar sobre os perigos de ter um consumo excessivo de produtos industrializados, além de instruir o povo brasileiro a ter uma alimentação mais saudável. Logo, os cidadãos atuarão ativamente na mudança da realidade brasileira.