Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 23/10/2019

A partir do século XX, com a Terceira Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, ocorreu um progressivo aumento do risco da obesidade de todo o mundo, decorrente do descompasso entre a disponibilidade excessiva de alimentos calóricos com o desenvolvimento tecnológico e a aquisição de hábitos sedentários. Com isso, observou-se, também, o aumento do preconceito contra gordos, reforçado pelos meio de comunicação de massa, que vende a imagem do corpo magro como perfeito e saudável. Nesse sentido, deve-se analisar como a a cultura sedentária e o o preconceito atrelado à mídia, também podem influenciar na persistência da problemática.

Em primeiro lugar, destaca-se os aspectos comportamentais da sociedade como impulsionador da obesidade. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que os hábitos sedentários e de má alimentação pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Assim, o fortalecimento dessa rotina nada benéfica para a saúde, transmitido de geração a geração, aumenta ainda mais o número de pessoas com sobrepeso ou obesas no país.

Ademais, a intolerância prejudica ainda mais a qualidade de vida dessas pessoas. Infelizmente, indivíduos obesos são alvo de preconceito e são vistos erroneamente como incapazes. Isso é frequentemente manifestado na forma de violência simbólica, termo do sociólogo Pierre Bordieu, que é uma violência exercida pelo corpo sem coação física, causando danos morais e psicológicos que induzem o indivíduo a se posicionar no espaço social seguindo critérios e padrões do discurso dominante. Atrelado  a isso, a mídia corrobora para essa violência simbólica, pois através de milhares de propagando, reforça o padrão do corpo magro como ideal. Por conseguinte, as vítimas dessa agressão simbólica tenderiam a se isolar, o que piora ainda mais a saúde dessas pessoas.

Torna-se claro, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas para que as adversidades da obesidade sejam minimizadas. Sendo assim, urge que o Ministério da Educação, por meio da construção de quadras esportivas nas escolas públicas e a contratação de professores qualificados em educação física, devem estimular as crianças desde cedo a praticarem esportes, principalmente em grupo para gerar contato-social. Com o intuito de acabar o sedentarismo desde a base e assim diminuir o risco de obesidade. Além disso, a fim de diminuir o preconceito, a mídia, através de propagandas, deve trabalhar na questão da representatividade, apresentando a variedade de corpos existentes. Talvez, dessa forma, todos os cidadãos possam garantir sua saúde física e, também, mental.