Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 25/10/2019
Na revista em quadrinhos brasileira “A turma da Mônica”, é retratado diversas cenas em que a personagem principal, Mônica, recebe insultos de seu amigo Cebolinha por conta do seu tipo corporal. Fora da ficção, o sobrepeso ainda é uma uma problemática que afeta uma parcela significativa da população gerando questões não só no âmbito da saúde mas também na esfera social. Diante disso, é crucial analisar as causas do aumento desse dilema, bem como seus efeitos na sociedade a fim de revertê-lo.
Nessa perspectiva, convém destacar, que o acelerado modo de vida dos trabalhadores é o principal fator que os leva à má alimentação. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman defende que o mundo moderno é caracterizado pela velocidade e fluidez nas relações. Para acompanhar esse ritmo no contexto do trabalho, os indivíduos muitas vezes são obrigados a se alimentarem nos pequenos intervalos da rotina e substituíram aos poucos as refeições regulares pela rapidez dos “fast food” ou comidas industrializadas. Esses tipos de alimentos, no entanto, colaboram para o aumento da gordura corporal, além de acarretarem em outros problemas atrelados à obesidade, como a diabetes, colesterol alto, e hipertensão.
De forma complementar, o preconceito contra pessoas obesas é uma questão recorrente na sociedade. Nesse contexto, Erving Goffman define como estigmatizadas, todas as características pessoais divergentes do que é estabelecido pelo corpo social. O preconceito ratifica o que foi teorizado pelo sociólogo, uma vez que o padrão de beleza magro faz com que o corpo gordo seja visto como sinônimo de patologia. Assim, essa parcela da sociedade é constantemente hostilizada e excluida dos processos sociais, por serem vistos como preguiçosos e descuidados com a saúde.
É necessário portanto, promover ações as quais alterem esse quadro. Portanto cabe aos órgão do poder legislativo criar, por meio de Emendas Constitucionais, leis que obriguem tanto as iniciativas privadas quanto os órgão públicos a promover refeições para seus funcionários, a partir de cardápios saudáveis e bem regulados, para que haja uma melhora considerável na alimentação dos trabalhadores. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação promova palestras nas escolas de conscientização sobre a gordofobia para desde a infância já se tenha ciência das consequências geradas por esses atos. Com a efetivação dessas medidas, espera-se uma população com melhor qualidade de vida, e que as histórias em quadrinhos não mais reflitam a realidade brasileira.