Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 28/10/2019

No mundo capitalista o lucro tornou-se mais importante do que os valores éticos e morais, afirmou o sociólogo Karl Marx. Sob essa perspectiva, a mudança de mentalidade proporcionou a formulação de uma dualidade na sociedade contemporânea, a qual os indivíduos buscam romper os padrões acerca do sobrepeso e ao mesmo tempo o preconceito diante a obesidade, causando debates perante o limite entre saúde e estética. Dessa forma, as indústrias de alimentos e cosméticos colocam como pilar as vendas baseadas na forte propaganda, deixando em segundo plano o bem-estar do consumidor.

Mormente, no século XX, a Indústria de cultura de massa surgiu para homogenizar os padrões de consumo da sociedade vigente, promovendo a exclusão dos indivíduos que não seguem os paradigmas da classe predominante. Sendo assim, com o objetivo de romper o modelo estético, foi criado a categoria Plus Size - pessoas que vestem acima do número 44- a qual evidencia o sobrepeso como um modo de vida, influenciando a questão da qualidade de vida. Consequentemente, a alimentação baseada em produtos industrializados e ausência de atividades físicas acarretam o acúmulo de gordura acima do ideal, tornando um grave problema de saúde pública, devido ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como hipertensão e derrame cerebral.

Ademais, a obesidade é uma problemática crescente no cenário brasileiro, conforme dados da Organização Mundial da Saúde, mais da metade da população encontra-se no quadro do peso acima do ideal, revelando a gravidade do atual contexto. Segundo o renomado geógrafo Milton Santos: Sociedade alienada é aquela que enxerga o que separa, mas não uni seus membros . Desse modo, ainda há o preconceito enraizado com indivíduos cujo não seguem o arquétipo exemplo, pois é idealizado que a saúde está ligada a magreza. Logo, para se encaixar em padrões impostos, os cidadãos acabam procurando procedimentos perigosos, esquecendo da qualidade de vida.

Dessarte, o problema da obesidade e sobrepeso são crescente no Brasil. Diante disso, o Ministério da Educação, em parceria com Ministério da Saúde, deve promover a elaboração de um plano emergencial, baseado na educação alimentar e no rompimento dos padrões estéticos, por meio do investimento em profissionais de nutrição e educadores físicos, os quais atuem em escolas e locais de grande movimentação, como shopping center, proporcionado a distribuição de uma cartilha com dicas e sugestões de alimentações mais nutritivas e saudáveis de maneira gratuita. Outrossim, a prática de aulas de danças em praças, a instalação de aparelhos de ginásticas, que sejam utilizados com base no treino do profissional de educação física e projetos sociais para disseminar a diversidade de formas corporais. Por fim, essas medidas têm a finalidade de garantir maior qualidade de vida.