Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Thais Carla, bailarina da Anitta, atualmente partilha do título de ícone de combate a preconceitos relacionados à obesidade. Sua condição, somada a seu ofício de dançarina, levantam diversos comentários depreciativos, os quais coadunam-se com a situação de cerca de 20% dos brasileiros que estão acima do peso segundo dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Apesar de um caso específico, esse cenário demonstra que a obesidade não necessariamente está associada à falta de saúde, entretanto, a desinformação acerca do assunto somada com o senso comum estimula a ascensão desse preconceito.
Há um senso comum inerente na atual conjuntura brasileira ao associar o sobrepeso com a ausência de saúde. Nesse sentido, com avanços médicos no ramo da nutrição, aliado à baixa difusão de informações, observa-se que os números indicados na balança não são indicativos de um quadro saudável. A exemplo, altos índices de massa magra ou de água, e não necessariamente gordura, podem indicar valores altos na balança. Todavia, essa informação é pouco difundida, o que contribui para o prevalecimento do senso comum.
Entretanto, mesmo não sendo um impasse, pessoas acima do peso podem configurar problemas de saúde pública na medida em que, apesar de serem saudáveis do ponto de vista fisiológico, procuram medicação como forma de se encaixarem num padrão estético difundido socialmente. Sob esta ótica, 92% do Sudeste, de acordo com pesquisas do instituto Hibou de 2014, já se medicaram uma vez na vida, sendo uma porcentagem significativa relacionada com remédios para emagrecimento. O pré-julgamento desprovido de embasamento médico afeta essa parcela da população, uma vez que provoca acentuação, não apenas do preconceito, mas dos números de enfermos que se consideram não saudáveis, o que pode acarretar, além de problemas de autoestima, em transtornos alimentares, tais como a bulimia.
Consoante abordado e discutido, é notório que a alarmante emblemática do preconceito com o sobrepeso urge de soluções. Para tal, com o intuito de expandir o acesso à informação entorno do tema, o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais de Saúde devem, por meio de oficinas e dias de conscientização, oferecer exames aos brasileiros interessados que informem-los acerca de sua saúde, tal como índice de massa magra e gordura. Assim, casos como o da dançarina Thais Carla podem ser vistos socialmente sem a cobertura de preconceito que há hoje e, como consequência, as pessoas busquem saúde com base médica e não apenas senso comum.