Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Essa questão problemática é fruto tanto do pouco investimento em saúde pública preventiva, quanto do “bullying” realizado contra pessoas obesas. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é fundamental pontuar que o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta de atuação das autoridades. Dessa forma, a saúde pública preventiva precária afeta diretamente o problema da obesidade, gerando indivíduos despreparados em relação a cuidados pessoais para seu próprio bem, mantendo os mesmos desinformados sobre os perigos de doenças como a diabetes, pressão arterial alta e acidente vascular cerebral, consequências do sobrepeso. Desse modo, é inadmissível que isso aconteça na atualidade.

Ademais, o “bullying” realizado contra pessoas obesas impulsiona o problema. De acordo com pesquisa do IBOPE(Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), no ano de 2017 apenas 8% dos brasileiros não cometeram ou participaram de algum ato de “gordofobia”. Partindo desse pressuposto, a prática dessa violência que pode ser verbal ou até mesmo física agrava o problema da obesidade, transformando os indivíduos afetados em pessoas com problemas de socialização e de baixa autoestima, dificultando a procura das mesmas por tratamento da obesidade e sobrepeso. Nesse sentido, tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o “bullying” realizado contra pessoas obesas contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Fica claro, portanto, que o descuido com a saúde pública preventiva e o “bullying” realizado contra pessoas obesas são impulsionadores do problema da obesidade e sobrepeso no Brasil. É necessário que o Ministério da Saúde invista em programas de saúde voltados para a prevenção da obesidade, por meio de palestras e campanhas em todas as cidades brasileiras, com o auxílio de profissionais da área e materiais didáticos específicos. Como também, a Mídia deve denunciar as práticas de “bullying” contra pessoas obesas, através de anúncios na televisão e internet, com personalidades famosas, em horários de grande audiência e acesso. Garantindo assim, a aproximação da Utopia de More.