Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Segundo o escritor irlandês Bernard Shaw, “Ninguém é melhor por ter nascido em determinado país ou família”. No entanto, o que se observa na realidade é oposto, uma vez que a obesidade e o sobrepeso no Brasil apresentam barreiras para concretizar esse pensamento. Desse modo, medidas sociopolíticas devem ser debatidas e compreendidas, haja vista que a educação reflexiva e o cumprimento constitucional são essenciais para contrapor essa problemática.
Nessa circunstância, é importante ressaltar a educação como um propulsor das mudanças sociais. Isso por que ela é responsável por desconstruir padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, refletidos na relação entre saúde e preconceito que envolvem pessoas obesas ou com sobrepeso, já que o ensino formal, no Brasil, é deficitário e pouco prepara o cidadão no que tange ao senso crítico para lidar com esse problema. Nessa perspectiva, segundo o site Agência Brasil, essa realidade é justificável, já que, por não haver uma grade curricular com disciplinas de caráter reflexivo, quase 1/5 da população brasileira está obesa e mais da metade com sobrepeso. Desse modo, urge a necessidade de desenvolver a conscientização estudantil para que a problemática seja minimizada.
Outrossim, é indubitável que a transgressão à Constituição esteja entre as causas do problema. Nessa lógica, o filósofo John Locke afirma que a política deve ser usada para garantir o bem-estar na sociedade. Porém, é notável que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, visto que não proporciona aos cidadãos os devidos serviços eficientemente, como educação alimentar, saúde e áreas de acessibilidade para pessoas obesas. Essa lamentável condição de vulnerabilidade a qual encontram-se é percebida na falta de recursos do Estado para resolver às questões sociopolíticas, como divulgar junto à mídia, os danos à saúde causados pelo sobrepeso, como doenças cardíacas, vasculares, articulares e até estéticas. Dessa forma, o Estado desconstrói a visão de um regime protetor de modo a causar exclusão e, por conseguinte, a violação do contrato social entre o indivíduo e o Governo.
Evidencia-se, portanto, medidas para reverter tal situação. Nesse contexto, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos às escolas para promover a formação de estudantes racionais, por meio de emendas, palestras, debates em grupo, a respeito do tema, visando moldar o pensamento estudantil acerca dos problemas decorrentes da obesidade e sobrepeso. Ademais, o Estado deve buscar financiamentos com países amigos para investir no tratamento dessas pessoas, por meio de tratamentos psicológicos, nutricionais e, caso necessário, cirúrgico, para que consigam atingir o peso ideal para sua saúde. Só então, a igualdade retratada por Bernard Shaw será alcançada.