Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 01/11/2019

Segundo Sigmund Freud, criador da psicanálise, em O mau estar na cultura: “A humanidade se concentra em torno de achar um equilíbrio adequado, isto é, que traga felicidade entre tais exigências sociais.” Nesta, esta o Estado e a sociedade que interagem entre si, para que esse equilíbrio seja coeso. Contudo, uma sociedade harmônica não relaciona-se com a segregação de seus indivíduos, uma vez que, atualmente o Brasil protagoniza um cenário em que a obesidade tornou-se além de um problema de saúde, um problema social. Em consequência disso, pessoas obesas enfrentam uma batalha pela vida saudável e também sofrem com o preconceito da sociedade.

O equilíbrio designado por Freud, se faz presente, quando políticas públicas são criadas para o controle de problemas sociais, tal como: a promoção a saúde e valorização do indivíduo. Em vista disso, os direitos são garantidos, tornando o governo um tutor social.

Embora o governo brasileiro trabalhe a favor da promoção a saúde, na contemporaneidade o Brasil enfrenta um fenômeno preocupante, a discriminação de indivíduos obesos, que são estereotipados pelo porte físico, já que, grande parte das pessoas associam o tipo de corpo a saúde. Logo, o indivíduo é segregacionado e condicionado a rótulos, de forma que, por não haver proteção legal ou qualquer mecanismo de defesa aos vexames, pelos quais o obeso passa nas ruas diariamente, assim, a maioria das pessoas não intimida-se em desrespeitar esses indivíduos.

Outrossim, os resultados causados por esses problemas são devastadores. De acordo, com o Instituto brasileiro de opinião pública e Estatística (IBOPE) 92% dos brasileiros já praticaram ou presenciaram algum ato de gordofobia. Dessa maneira, mesmo que a obesidade seja um transtorno alimentar, e os problemas de saúde que podem estar correlacionados a ela, o indivíduo não é tratado de maneira decente, mas sim, desrespeitado em detrimento de seu porte físico.

Portanto, basear políticas públicas em impressões pessoais e não em ciência, é um jeito eficaz de reforçar preconceitos, prejudicar a sociedade e piorar a qualidade de vida. De início, cabe ao Ministério da saúde, investir em planos de manutenção dos hábitos de saúde, adequado para os portes físicos, conforme seja prejudicial a saúde do indivíduo e ampliar a política de equipamentos físicos em praças e parques, ademais, compete ao Ministério da justiça a criminalização de qualquer forma de preconceito e a  promoção de campanhas acerca da reivindicação do respeito como, direito de todos.