Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 30/10/2019

Em seu documentário “Super-Size Me”, o produtor Morgan Spurlock se submete a uma dieta baseada em “fast-food’ e doces por 30 dias para avaliar os efeitos sobre seu corpo. Os resultados, no entanto, atingem patamares além do físico, interferindo em seu comportamento e nos seus níveis de estresse. Hoje, o Brasil conta com níveis de obesidade crescentes desde as últimas décadas na sua população, o que reflete tanto no declínio do bem-estar geral, como na economia nacional. Desse modo, é preciso avaliar as causas  de tais índices e propor medidas para revertê-los aos padrões aceitáveis.

É indubitável que a carência de educação alimentar esteja entre as causas do problema. Segundo pesquisas do Ministério da Educação, apenas 11% das escolas brasileiras possuem projetos de educação alimentar em suas grades. Isso, além do fato de que muitos pais trazem a cultura do “fast-food” para dentro do ambiente familiar, faz com que muitos adolescentes cresçam sem saber se alimentar corretamente, elevando os níveis de pessoas acima do peso, no país. Esses dados apenas incitam o crescimento da chamada “Gordofobia” nos ambientes escolares e sociais, situações em que pessoas acima do peso são rechaçadas por colegas devido à questão estética, o que pode provocar consequências psicológicas degradantes ao indivíduo em longo prazo.

Além disso, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os problemas relacionados à obesidade refletem em 20% dos gastos com saúde pública no mundo. Ou seja, além de problemas crônicos psicológicos, problemas como hipertensão e infarto são mais frequentes devido a obesidade. De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva e agir e pensar. Portanto, as pessoas que possuem laços afetivos com alguém acima do peso devem incentivar à mudança do estilo de vida dela, tornando o ambiente favorável para que a pessoa se sinta confortável em sua mudança de estilo de vida.

Infere-se, portanto, que o problema do preconceito relacionado à obesidade é um mal para a sociedade brasileira. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, em concomitância com as Secretarias de Educação Municipais, promover seminários mensais ou semanais nas escolas que visem a uma reeducação alimentar tanto em alunos como nas instituições familiares como um todo, a fim de esclarecer a importância de uma alimentação saudável para o indivíduo a curto e longo prazo. Ainda, cabe ao Ministério da Educação incluir na grade horária das escolas públicas programas que busquem o ensino dos problemas relacionados à obesidade e o que fazer no intuito de ajudar as pessoas a reduzirem seu peso, contribuindo para uma geração mais informada e respeitosa com relação à obesidade. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, e extinguir  a pressão da “gordofobia” das situações cotidianas em território nacional.