Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 30/10/2019
A Alexandra que possui um canal no youtube Alexandrismos problematiza frequentemente a “gordofobia” que a população brasileira pratica diariamente de forma velada ou explícita. Como obesidade é uma doença crônica não transmissível, esse tema é especialmente delicado pelo fato de ser um problema tanto social como de saúde pública. De qualquer maneira, a questão da obesidade deve ser tratada com equilíbrio sendo esse obtido por meio de intervenções sociais e acadêmicas.
Por um lado há o fato de obesidade ser uma doença, que pode levar a problemas cardíacos, metabólicos, motores e isso não poder ser neglicenciado. Mas nesse mesmo aspecto, os próprios livros didáticos sobre o assunto mostram uma abordagem em relação a ela muito simplista e biológica, sem levar em consideração uma abordagem integral, que envolve a questão social e psicológica de uma pessoa ter IMC maior que 30. O que possibilita que os próprios médicos tenham preconceito com as pessoas obesas com a defesa de um olhar para a saúde, neglicenciando os princípios de cuidado do SUS: integralidade, equidade, longitudinalidade, autonomia. Situação que evidencia a ideia descrita por Gilberto Freire: sem uma função social, o saber será a maior das futilidades.
Pensando na questão social que extrapola a questão da saúde, há muito preconceito com as pessoas acima do peso e até mesmo estrutural. Poltronas apertadas, cadeiras frágeis, modelagens de roupas. Não é simplesmente um preconceito em questão de discriminação quanto a usar palavras depreciativas para pessoas obesas, e sim uma exclusão da estrutura da sociedade como um todo. O que gera graves problemas psicológicos, essa ideia é retificada por um estudo publicado em 2015 na Social & Personality Psychology Compass em que pessoas que sofrem estigma social negativo associado ao peso têm maior probabilidade de desenvolver depressão, ansiedade, dependência química e baixa autoestima.
Portanto para se combater o problema da obesidade e se achar um equilíbrio entre um olhar de saúde e o preconceito, medidas precisam ser tomadas. O Ministério da Saúde deve incentivar uma formação humanizada no curso de Medicina, com uma bonificação para os cursos que tiverem disciplinas sociais obrigatórias para possibilitar a formação de um pensamento humanizado e o desenvolvimento de um atendimento integral e não preconceituoso de pessoas com obesidade. Ademais se deve possibilitar discussões sobre a gordofobia e sua questão estrutural por meio de associação de marcas de moda plus-size com pessoas obesas nas redes sociais de modo a possibilitar a formação de um pensamento crítico sobre o assunto e um repensar das ações e pensamentos da sociedade para com as pessoas com sobrepeso e obesidade para os integrá-las a realidade brasileira.