Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 01/11/2019
A educação alimentar é uma questão bastante desprezada no Brasil. Tal fato é corroborado por dados do Ministério da Saúde que revelam um índice de obesidade próximo a 20% na população do país. Nessa realidade é comum notar problemas preocupantes que vão desde o “bullying”, praticado em diversas esferas sociais, até o alto índice de doenças cardíacas, relacionadas à indivíduos obesos. Tais questões refletem em problemas sociais, tanto pela discriminação, quanto pela sobrecarga em hospitais por conta de um problema que poderia ser prevenido.
No que tange a saúde mental é importante ressaltar que o preconceito sofrido, por quaisquer motivos, pode levar a quadros clínicos de depressão e até mesmo a casos de suicídio. Entretanto, ainda é corriqueiro o “bullying” contra pessoas com sobrepeso, seja no trabalho, seja na família e até mesmo nas escolas, apesar da existência da Lei contra o Bullying. Além disso, o avanço das tecnologias de comunicação potencializou a dispersão dos padrões de beleza, expostos em propagandas e em redes sociais, aflorando ainda mais a discriminação dos indivíduos que não se enquadram nesses modelos.
Quanto a alimentação do brasileiro, a falta de educação nutricional nas escolas reflete em uma população com hábitos alimentares preocupantes, potencializando o ganho de peso e a redução da saúde. Ademais, o alto preço de proteínas, em contraste com o baixo valor do salário mínimo, contribuem para a ingestão de alimentos com alto teor calórico e baixo valor nutritivo. Outro fator relevante é a necessidade de que a refeição seja rápida, devido à rotina exaustiva e atarefada de muitos trabalhadores, que, por desinformação e necessidade, recorrem a “fast-foods” ou frituras já prontas. Esses problemas culminam em uma sociedade com alto índice de sobrepeso, exposta a problemas do coração, fator que, segundo a OMS, representa a maior causa de mortes no mundo.
Portanto, o Ministério da Educação deve inserir a educação alimentar no contexto escolar, com o objetivo de atenuar o cenário da obesidade no país. Essa ação deve ser realizada por meio de palestras e “workshops” ministrados por nutricionistas qualificados, de maneira a expor, de forma didática, as vantagens e desvantagens de cada tipo de alimento, ressaltando a importância de vitaminas e de uma dieta equilibrada. Deve-se também ser fornecido nas escolas apoio psicológico para alunos que sofrem preconceito, além de serem realizadas campanhas contra a discriminação e o “bullying” - expondo os potenciais efeitos de tais ações - de maneira a manter um ambiente respeitoso, desenvolvendo indivíduos capazes de conviver em sociedade de forma harmônica e saudável.