Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 01/11/2019

“Nós não somos cegos, mas não vemos”. Tal assertiva sintetiza bem a metáfora da obra “Ensaio sobre a cegueira”, do escritor José Saramago. Um conto distópico que uma mulher empresta seus olhos ao seu marido para ajudá-lo em tudo. Não obstante do cenário atual, essa “cegueira” potencializa a problemática da obesidade e do sobrepeso no Brasil, que por vezes, destoa em tom alarmante no comprometimento com uma vida saudável. De fato, uma questão protela, ora por uma mídia negligente, ora por um coletivo passivo no que tange ao impasse.

Nessa perspectiva de escravismo, o mundo globalizado e acrescido de uma cultura rápida, fomenta um discurso midiático discrepante. A priori, o volume de publicidade envolto de anúncios, panfletos e, diversos canais de entreterimento televisivo, impõe a sociedade uma mentalidade consumista que, não raro, atrela-se ao poder de escolha apenas dos mais abastados, à qual optam pela qualidade, fato que diverge dos menos favorecidos. De acordo com o G1 - Mais da metade da população brasileira está acima do peso, diz Ministério da Saúde -, um dado que estampa uma dupla realidade: consumo de sódio ou aumento no consumo de verduras e legumes. Ora, se a impressa não instrui cuidado alimentar, o refúgio paira no compromisso com a saúde.

Ademais, outro fator de entrave é a ausência de concepções no meio social, e uma adequação governamental plena no tocante à temática. Conforme o filósofo grego Pitágoras “Eduquem as crianças, para que não seja necessário punir os adultos”, tese essa que evidencia uma inadequação na orientação educacional do âmbito coletivo, que faz paridade com a maneira pela qual o individuo se comporta, uma vez que a má alimentação é corroborada por uma manipulação da ilusão do “bom”. Desse modo, torna-se controverso a institucionalização da Carta Magna de 1998, ao afirma que é dever do Estado promover o bem-estar social, quando as políticas de conscientização sobre a prática de exercícios físicos e uma alimentação adequada soa apenas utópica. Dessa forma, uma mudança nos hábitos é fulcral.

Infere-se, portanto, medidas para minorar a obesidade e o sobrepeso no Brasil. Logo, torna-se significativo que a mídia viabilize campanhas publicitárias, por meio de canais de entreterimento para estimular uma alimentação adequada e instruir sobre os seus devidos benefícios, a fim de amenizar os efeitos danosos do ganho de peso. Outrossim, é o Poder Público que deve investir plenamente na construção de acadêmias comunitárias e instigar as secretárias municipais a fomentarem o cultivo de hortas na cidade, para que a população em geral tenha acesso a hortaliças e leguminosas, com fito que unir prazer e uma vida saudável. Assim, a “cegueira” será apenas uma metafora.

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