Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 02/11/2019
Sobrepeso e obesidade: Esparta, ficção e o Brasil.
Na série Insatiable (Insaciável, do Inglês) a protagonista Patty é uma ex-obesa que alcança ascensão social após uma perda brusca e não saudável de peso. Assim como na ficção, a sociedade associa a figura do obeso ao fracasso e que somente o emagrecimento lhe trará felicidade. Logo, o preconceito se sobrepões, muitas vezes, à atenção à saúde. Dessa maneira, o aumento no número de obesos e indivíduos com sobrepeso é um problema no Brasil e para a resolução do mesmo, ações interdisciplinares devem ser realizadas para o extermínio dos pré-julgamentos e promoção de saúde integral para os cidadãos.
É válido afirmar, de início, que o ganho de peso ocorre quando a ingestão de calorias é maior que o gasto das mesmas. Dessa forma, o estilo de vida moderno com alto consumo de processados, ultraprocessados e fast foods, que contém muito açúcar, sódio e gorduras, em conjunto com o sedentarismo são as causas do aumento dos dígitos na balança. Nesse sentido, segundo a pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, quase 20% dos brasileiros são obesos e mais de 50% da população apresenta sobrepeso. Com isso, é perceptível que para a diminuição desses índices, a alimentação nacional precisa melhorar em conjunto com o aumento da atividade física.
Ademais, é relevante trazer à discussão a sociedade espartana. Ela cultuava o corpo perfeito, matava deficientes e condenava as pessoas que não eram musculosas e preparadas para a guerra. Outrossim, a vigilância corporal permanece na contemporaneidade, indivíduos acima do peso são frequentemente vítimas de discriminação. Com isso, segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, 92% dos brasileiros já praticaram ou receberam atos de gordofobia. Por isso, se faz necessário combater o preconceito corporal no país.
Em virtude dos fatos expostos, o Governo Federal deve criar o plano Brasil Saudável. Essa medida consistirá em investimentos para a conscientização da importância da alimentação adequada, da atividade física e combate à gordofobia. Para isso, ações interdisciplinares devem ser realizadas em praças e escolas, com a condução de profissionais de saúde que darão palestras e farão rodas de conversa com a sociedade sobre como se alimentar melhor. É de suma importância que o o Estado invista verbas no Sistema único de Saúde (SUS) para a contratação de mais nutricionistas para as comunidade e crie academias ao ar livre. Além do mais, esse plano criminalizará atos preconceituosos contra os corpos e veiculará na mídia e internet campanhas contra essa discriminação. Com isso, espera-se que o aumento de peso diminua de forma saudável e não como o que ocorreu com Patty.