Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/01/2020

“Você tem o rosto tão bonito, porque não emagrece?”. Esta frase mostra que a alimentação não exerce influência apenas na saúde, mas também no bem estar das pessoas. Nesse sentido, apesar dos empenhos de conscientização, 89% dos entrevistados admitiram que já falaram ou ouviram alguma insinuação que a condição física não combina com beleza, segundo pesquisa Skol Diálogos. Deste modo, existem aspectos macrossociais determinantes que devem ser debatidos em relação ao problema de sobrepeso no Brasil, como a associação entre a gordofobia e os problemas de saúde.

Em uma primeira análise, verifica-se que a intolerância com o corpo gordo não é contemporâneo, uma vez que, na Idade Média, o jejum era um atributo que valorizava a espiritualidade em detrimento da compleição física. Por conseguinte, mais tarde, cientistas recomendavam os mais variados remédios para o suposto distúrbio, desde suplementos para queimar gordura até treinos que mais lembravam tortura. Todavia, tudo acentuou-se a partir das mudanças lideradas pela indústria da moda, que adotou a magreza como constituição física ideal, à vista disso os indivíduos gordos tornaram-se seres incapazes de cuidar da própria saúde. Destarte, compreender que o corpo gordo não é um erro ou pecado é fundamental para diminuir o preconceito contra a obesidade.

Em segundo lugar, correlacionar a ideia de que pessoas gordas não são sadias apenas por serem gordas não é correto. Isso ocorre, nos dias de hoje, porque a obesidade é classificada com base no cálculo do Índice de Massa Corporal, uma classificação que estabeleceu o que seria um corpo humano normal. Nesse viés, tentar definir e categorizar indivíduos entre gordos não saudáveis e magros saudáveis está vigorosamente ligado à eugenia, que serviu de argumento para o genocídio em tempos passados. Em virtude disso, cidadãos que não são considerados salutares acabam sendo vistos como pessoas com moral negativa, dispersando esse desapontamento para a vida social e profissional dos mesmos. Dessa maneira, “aprendemos a medir nosso valor com a balança errada”, de acordo com a neurocientista Sandra Aamodt.

Portanto, o problema da obesidade e do sobrepeso no país é significativo e, por isso, medidas precisam ser tomadas para resolver essa questão. Assim, é essencial que as instituições escolares criem programas permanentes, por meio de uma equipe multidisciplinar com assistentes sociais e psicólogos, que ofereça suporte ao professores na formação de métodos de combate à gordofobia. Ademais, o Ministério da Saúde deveria divulgar uma cartilha que oriente a população e os profissionais de saúde, relatando que o IMC não avalia com exatidão o peso dos cidadãos, já que não traz dados sobre o colesterol, por exemplo, para que a saúde seja mais importante do que o tamanho de um corpo.