Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 27/01/2020
Na idade medieval, período compreendido entre os séculos V e XV, o ideal de beleza da mulher, esteve centrado na sua condição física robusta, o que indicava boa alimentação e consequentemente, boa condição financeira. Isto denota a relação da sociedade e seus padrões, com o corpo humano. Paralelamente a isso, no século XXI, esse assunto é amplamente discutido na sociedade brasileira, na qual, apesar do peso médio de sua população aumentar conforme o passar dos anos, o preconceito contra indivíduos acometidos pela obesidade permanece.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Opinião pública e estatística (IBOPE), cerca de 92% da população brasileira já foi promotora ou testemunha de ofensas à pessoas gordas. Esse dado revela o estigma de uma condição física, a qual ocorre por diferentes fatores, dentre eles, a condição genética da pessoa, a qualidade de sua saúde mental e educação alimentar recebida, o que contrapõe a ideia de que o sobrepeso está ligado somente à indisciplina e o desrespeito para com o próprio corpo. A continuidade desse paradigma afeta o bem-estar do obeso, que uma vez constrangido, sente vergonha de procurar ajuda ou, por vezes, não recebe apoio necessário.
Em face disso, a presença de políticas públicas eficientes é imprescindível no combate à obesidade e seus males. Na cidade de Amsterdam, os seus habitantes tem preferência majoritária pelo uso da bicicleta como meio de transporte e encontram, no governo, aliada à essa característica, o investimento em infraestrutura adequada. Tal fato denota a importância do estado e suas medidas, na contemplação do exercício físico como um ato cultural, que promove de forma direta, o combate ao sobrepeso. No Brasil, no entanto, as ações públicas tem sido ineficientes, pois, segundo os dados divulgados pelo Ministério da Saúde, 54% da população brasileira se encontra acima do peso ideal.
Diante disso, depreende-se a necessidade de promover diferentes medidas de combate à obesidade. À Secretaria Especial do Esporte compete a conscientização da população sobre os benefícios da prática do esporte, por intermédio da realização de palestras midiáticas, pautadas na discussão sobre os impactos do desempenho de atividades desportivas e da presença de uma dieta saudável na busca do bem-estar, o que resultará em menor índice de pessoas sedentárias, afastando por conseguinte, o risco de obesidade. À sociedade civil organizada cabe a criação de grupos de apoio aos indivíduos acometidos pelos problemas decorridos do sobrepeso, estimulando, com conselhos, indicações e apoio psicológico, o desenvolvimento de mente e corpo saudáveis e a autoaceitação.