Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 04/02/2020
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, de 2011 a 2018, o número de operações cresceu em média 85% no Brasil. Essa cirurgia é recomendada a casos emergenciais em que o paciente corre risco de vida em decorrência de seu grau de obesidade. Entretanto, o preconceito sofrido por aqueles que fogem o padrão de magreza imposto, alimenta o mercado de remédios para emagrecimento rápido e não traz saúde ao usuário. Dessa maneira, os impasses acerca da obesidade e sobrepeso torna-se caso de saúde pública a ser enfrentado.
Em primeiro plano, é válido destacar que saúde é o equilíbrio das estruturas e funções do organismo baseado na forma e fase de vida. Todavia, o padrão corporal midiático ignora a pluralidade corporal e exige que todos tenham o mesmo estilo de corpo, mesmo que para isso, o indivíduo tenha que se abster da própria saúde. Exemplo disso, é a atriz Mariana Xavier, que admitiu a agressividade a que expunha seu corpo para tentar atingir o padrão. Dessa forma, medidas emergenciais são tomadas e os brasileiros tornam-se cada vez menos saudáveis em busca do corpo perfeito, pressionados pelo preconceito.
Paralelamente a isso, a quantidade de dietas e remédios de emagrecimento rápido que surgem no mercado é impressionante. Todas essas medidas são válvulas de escape para fugir das ações que resultarão em um corpo saudável de fato: atividade física e alimentação saudável. Além de trazer equilíbrio nas funções do corpo, essas atitudes são cruciais para o aumento da expectativa de vida, de acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse sentido, o cuidado com o corpo precisa parar de ser sabotado com promessas milagrosas de emagrecimento.
Portanto, fica evidente que o Brasil precisa de medidas que impulsionem os brasileiros a cuidar de si mesmos. Para isso, o Ministério da Saúde junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisa avaliar e proibir a produção e venda medicamentos utilizados com o intuito de emagrecer a fim de incentivar a população a buscar as formas corretas de ter um corpo saudável. Além disso, campanhas que valorizem a pluralidade corporal devem ser feitas pela mídia, com a credibilidade do Ministério da Saúde, com o propósito de acabar com o preconceito acerca do corpo ideal inventado. Assim, a saúde interna virá sempre antes da aparência externa.