Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 23/02/2020
No livro Dom Casmurro de Machado de Assis,Bentinho relata que seu tio Cosme,ao tentar subir no cavalo,sofria e provocava grande sofrimento no animal,pois estava acima do peso.Fora da ficção,é perceptível como a obesidade e o sobrepeso têm sido protagonistas na hodiernidade,o que coloca em xeque a saúde física e mental de parte da sociedade brasileira,a qual é prejudicada pelas consequências trazidas por esses distúrbios.Cabe,portanto,analisar a problemática não só no que tange à má educação alimentar,mas também o estigma social relacionado ao preconceito,o qual potencializa os efeitos negativos sobre a parcela da população que se encontra em situação de obesidade.
Em primeira análise,é importante salientar que o fenômeno da globalização influenciou no advento do estilo de vida americano.Este,ao se basear no modelo capitalista que envolve a velocidade do processamento das informações cotidianas,faz com que a maior parte da população desloque o planejamento alimentar para segundo plano.Desse modo,é criado um cenário em que o corpo social valoriza os alimentos processados das redes de “fast foods” em detrimento de uma nutrição adequada propiciada pelos produtos orgânicos.Assim sendo, consolida-se a formação de um ciclo vicioso,no qual o número de obesos já ultrapassa a metade da sociedade brasileira,de acordo com o Ministério da Saúde,na medida em que o Estado e a família encontram subterfúgios para não investirem na reeducação alimentar dos indivíduos acometidos pelo excesso de peso.
Em segunda análise,deve-se ressaltar que as práticas preconceituosas têm ganhado destaque no Brasil.Há quem acredite,erroneamente,que as pessoas que sofrem de obesidade são inferiores e incapazes de exercer um papel efetivo nas relações sociais,o que limita,por exemplo,a participação desse grupo no mercado de trabalho.Além disso,tais pensamentos de cunho eugenista são encontrados no corpo social desde a infância,a exemplo das Histórias em Quadrinhos da Turma da Mônica, na qual o personagem Cebolinha reforça o pensamento “gordofóbico” ao apelidar pejorativamente Mônica pelo nome “gorducha”.
Em vista desses aspectos,faz-se necessário uma intervenção que atenue o quadro apresentado.Para isso,urge que o Ministério da Saúde,a fim de mitigar o atual cenário de obesidade e preconceito,amplie o Programa Saúde da Família(PSF),disponibilizando-o na maior parte dos municípios brasileiros.Tal órgão atuaria por meio da disponibilização de nutricionistas e psicólogos que venham a prestar assistência aos indivíduos que não possuem educação alimentar adequada.Dessa forma,ocorrências como a de Dom Casmurro e a da Turma da Mônica serão raras na sociedade brasileira, que não conviverá com o preconceito e será reeducada nutricionalmente.