Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 26/03/2020
Na série “Euforia” a personagem Kat é uma adolescente acima do peso, que ao decorrer dos episódios aprende a aceitar seu corpo e a não ter vergonha de suas curvas, mesmo não estando no padrão de beleza exigido pela sociedade. Fora do campo cinematográfico, a concepção de que a obesidade e o sobrepeso são apenas gerados a partir da má alimentação e do sedentarismo faz com que o número de casos de gordofobia aumentem, afetando negativamente na vida das vítimas desse preconceito. Desse modo, intervenções governamentais são necessárias para a resolução desses impasses.
Em primeira análise, a Vênus do paleolítico é uma estátua que exibe a divergência de pensamentos entre o passado e a atualidade em que vivemos: durante a pré-história ser obeso significava ser saudável; já no presente, essa condição é vista por boa parte da sociedade como um desleixo e falta de preocupação com a saúde. Isso ocorre graças ao aumento de contato que temos com a comida - não precisamos caçar nem pescar como as pessoas que viviam na pré-história, para conseguir comer basta ter dinheiro para realizar a compra do que desejar. Além disso, fast-foods são vendidos no dia a dia, expondo os cidadãos à alimentação de baixa qualidade nutricional.
Ademais, a percepção de que o acúmulo de gordura leva o indivíduo a ter doenças serve de argumento para a prática de gordofobia, mesmo a maioria dos indivíduos com sobrepeso não apresentando enfermidades. Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião pública e estatística, 92% dos brasileiros praticaram ou presenciaram atos deste preconceito, alimentando também o padrão de beleza que exige a magreza e diminuindo a autoestima das vítimas. Apesar desta concepção errônea, esta condição é gerada por uma série de fatores biológicos, desde os genéticos até oscilações hormonais. Este é um tema bastante abordado na mídia, principalmente no Youtube, em que diversos canais como o “Alexandrismos” foram criados com o objetivo de desmistificar ideias preconcebidas acerca do assunto.
Portanto, cabe ao Estado a resolução da problemática, garantindo a preservação da saúde mental de pessoas acima do peso e a conscientização daquelas que praticam gordofobia usando o fator alimentação como argumento. O Ministério da Educação deve garantir palestras em escolas e universidades voltadas para a discussão do preconceito contra a obesidade e o sobrepeso, com palestrantes que sejam representantes do grupo citado e, juntamente com a mídia, exibir campanhas com o mesmo objetivo. Outrossim, o MEC também deve colocar no currículo escolar a educação alimentar, também auxiliando alunos, desde a tenra idade, a consumir alimentos saudáveis.