Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 10/03/2020

Após as Revoluções Industriais, diversas mudanças ocorreram na realidade e no comportamento dos seres humanos, incluindo o aumento do consumo de alimentos processados e não saudáveis e o crescimento do número de sedentários, devido aos avanços tecnológicos que permitem cada vez menos movimentação do indivíduo. Como reflexo desse cenário, atualmente, cerca de 50% da população brasileira está acima do peso, segundo dados do Ministério da Saúde, e sofre com as consequências na saúde, além de terem que lidar com o preconceito de muitas pessoas. Sabendo dos desdobramentos do sobrepeso e da obesidade, e do alto número de brasileiros que se encaixam na estatística citada, é necessário que o Estado crie mecanismos para resolver essa situação.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar as consequências associadas à saúde daqueles que estão acima do peso considerado saudável. Devido ao contexto proporcionado pelos carros, celulares, televisores, videogames e outras tecnologias que permitem ao homem realizar uma gama de atividades enquanto está sentado e gastando o mínimo de energia, cada vez menos calorias e gorduras são queimadas. Assim, muitos têm desenvolvido doenças como diabetes, hipertensão, hipotireoidismo, que reduzem suas qualidades e sua expectativa de vida.

Além disso, em decorrência dos padrões estéticos idealizados pela sociedade, os indivíduos com o problema em questão sofrem com frequência episódios de “gordofobia” - discriminação com um indivíduo que se apresenta acima do peso, muitas vezes sem a preocupação com a saúde da pessoa, mas sim com a divergência em relação ao considerado padrão. Esses casos de preconceito com pessoas gordas ocorrem nas esferas sociais, profissionais e, recentemente, têm ocorrido denúncias inclusive no meio médico - que ganharam destaque a partir da criação da hashtag “#gordofobiamedica” pela comunicadora Flávia Durante, em julho de 2018, que acredita ser uma inibição dos direitos ao cuidado médico. Em todos os âmbitos, podem ser graves os efeitos desse preconceito, já que geram, em algumas vítimas problemas psicológicos como depressão, bulimia e anorexia.

Tendo em vista esse problema de saúde publica e o preconceito a ele associado, visando modificar esse cenário brasileiro, é dever do Ministério da Saúde criar programas de auxílio à pessoas com sobrepeso ou obesidade, que forneçam aulas de educação alimentar, revitalizem e incentivem o uso das academias ao ar livre, existentes na maioria das cidades, e ofereçam consultas para ajudar aqueles que querem sair dessa situação. Junto a isso, cabe ao Governo Federal dar visibilidade, nas escolas e nos meios de comunicação, aos movimentos que lutam pelo fim da associação do corpo gordo à doença e visam o fim dos padrões, como o “Movimento corpo livre”, criado pela Alexandra Gurguel.