Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 17/03/2020

O peso do preconceito

No programa norte-americano “Quilos mortais”, há exibição durante um ano da vida de uma pessoa morbidamente obesa, a fim de mostrar as suas tentativas e dificuldades para reduzir seu peso à um nível saudável. No Brasil, atualmente, as taxas de obesidade e sobrepeso atingem cerca de 20% da população. Dessa maneira, o combate e conscientização sobre os impactos gerados na saúde são mais que necessários.

A priori, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia define obesidade como um acúmulo em excesso de gordura corporal. Uma das principais preocupações para com esta enfermidade são as doenças secundárias que podem surgir a partir dela. Diabetes, hipertensão e osteoartrite são reflexos de uma sociedade despreocupada com a sua alimentação. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a criança brasileira passa em média 5 horas por dia em frente a eletrônicos, a partir disso percebe-se quão pouco é estimulado na infância a busca por um estilo de vida mais saudável. Assim, perpetua-se na fase adulta os maus hábitos, entre eles: a ingestão de “fast food” que faz parte do cotidiano de muitas pessoas em decorrência de um estilo de vida mais agitado, assim optam por uma opção mais prática,gerando uma fase de má nutrição, pois são alimentos hipercalóricos, mas com baixa fonte de nutrientes,fragilizando ainda mais a saúde do indivíduo.

Outrossim, a mídia acaba vinculando a percepção de saudável ao corpo esguio e inatingível, gerando preconceito e não aceitação do próprio corpo por parte de quem não atende a essas demandas sociais. Desse modo, têm-se a percepção que você está acima do peso por preguiça e relapso, o que pode ocasionar tratamento injusto e até dificuldade na inserção no mercado de trabalho. Exemplo disso, dá-se as companhias aéreas que exigem de seus clientes acima do peso que para sua melhor acomodação deve-se comprar mais de um acento. Assim, os impactos da obesidade perpassam a saúde física, atingindo o psicológico e o cotidiano.

Portanto, são perceptíveis os efeitos suscitados da obesidade na sociedade brasileira. Faz-se necessário por parte do Ministério da Saúde promover palestras e acompanhamento nutricional da população, dos grandes e pequenos centros urbanos, por meio de um espaço destinado a medicina preventiva que atenda a população visando informar sobre a gravidade que representa ser obeso e alimentar-se mal, e também viabilizando a educação permanente no âmbito da saúde e nutrição. Outrossim, cabe a mídia televisiva e virtual o dever de buscar minimizar a estigmatização e vinculação de felicidade ao ideal de “corpo perfeito”, mostrando as variedades existentes.