Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 07/04/2020

No documentário norte-americano Super Size Me, o diretor Morgan Spurlock viabiliza, durante um mês, todas as suas refeições na rede fast food McDonald’s. Na narrativa, fica clara a disparidade dos quadros clínicos de Spurlock comparados aos exames realizados anteriormente. Fora da produção, a disseminação das indústrias de comida rápida está atrelada, de fato, aos majoritários casos de obesidade e sobrepeso no Brasil. Diante disso, faz-se necessário o debate acerca das circunstâncias históricas e dos paradigmas preconceituosos que tangem tal facínora social.

Mormente, ao tomar como norte uma esfera estritamente geopolítica, notam-se replicações depreciativas à saúde global. Nesse espectro, a Revolução Verde, sancionada na Conferência de Washington no século XX, objetivava a erradicação da fome em luz à disseminação da acessibilidade. No entanto, tal proposta fomentou o acesso aos produtos de origem transgênica com a possibilidade de produção em larga escala, embora fossem nóxios a sociedade. Desse modo, fez-se notório a exequível difusão da obesidade e do sobrepeso na modernidade atrelado ao aumento do consumo de alimentos nocivos e imorais à saúde pública, em contraposição às prerrogativas revolucionárias.

Outrossim, vale ressaltar a perspectiva sociológica acerca dos padrões sociais pré estabelecidos. Desse modo, nota-se a máxima de Albert Einstein, pai da teoria da relatividade, ao estabelecer que é mais fácil desintegrar um átomo do que destituir um preconceito enraizado. Sob o viés do alemão, compreende-se o advento de estigmas sociais direcionados à obesidade e ao sobrepeso, em vias da globalização de um padrão físico e ideológico do corpo idealizado. Por um lado, tal padronização configura o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis na sociedade, ao optar pela abdicação de alimentos de origem transgênica, por exemplo. Por outro lado, a disseminação de ideias corrobora ao isolamento de figuras antagônicas, tais quais os obesos, podendo desenvolver, assim, problemas de cunho psicológico.

A multipolarização da obesidade e do sobrepeso, portanto, deve ser mitigada com a proposição de intervenções nas esferas econômicas e sociais. A priori, cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais destinadas ao meio midiático, desenvolver campanhas publicitárias que fomentem o respeito e o combate ao preconceito contra obesos no Brasil. Tal medida prevê a mistificação dos padrões idealistas estabelecidos pela sociedade de consumo e, acima de tudo, ratificar a saúde mental dos brasileiros. A posteriori, cabe ao Ministério da Economia, por meio de políticas tributárias, fornecer incentivos fiscais ao produtores de alimentos orgânicos, a fim de instituir uma melhoria na saúde nacional e coibir hábitos nocivos, como os vivenciados por Morgan Spurlock.