Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 29/03/2020

No convívio social brasileiro, inúmeras são as adversidades acerca da questão problemática da obesidade e do sobrepeso, gerando casos equivocados de preconceito contra esse grupo e, também, um cenário nocivo em relação a saúde desses indivíduos. Esse panorama complexo exige uma atuação mais expressiva de setores da sociedade civil, em conjunto com o Poder Público, em prol de proporcionar a essas pessoas uma satisfação cotidiana nos aspectos sociais e fisiológicos.

Efetivamente, desde a invenção da internet, ainda no século XX, e da mais recente disseminação desse meio, principalmente, entre o público infantil, notou-se a redução de atividades físicas em contraponto ao uso excessivo desses meios digitais, desenvolvendo na população um crescente número de casos de sobrepeso e até de obesidade, em que é notório o aumento de doenças cardiovasculares, incapacidades motoras e uma péssima qualidade de vida, inserindo essa parcela populacional, que já atinge mais da metade dos brasileiros, em uma situação de alto risco. Tal fato, conjuntamente com a mentalidade social dramaticamente preconceituosa, expõe esse grupo, já bastante prejudicado no aspecto fisiológico, a situações constantes de humilhações e intimidações que geram, muitas vezes, problemas ainda mais complexos, como insegurança, baixa autoestima e até depressão. Esse panorama pode ser observado no seriado televisivo norte-americano “Friends”, da década de 90, que, por meio da personagem Mônica, explicita inúmeras situações de gordofobia e as consequências nocivas desses atos para a vida cotidiana da personagem.

Ressalta-se, ainda, que, no âmbito governamental, são existentes dispositivos jurídicos, como a  Constituição Federal, que asseguram aos cidadãos um convívio tolerante, sem quaisquer tipo de discriminação. Entretanto, nota-se um cenário inverso quando se tratando de diversos casos de gordofobia existentes no cotidiano de milhões de brasileiros, em que mais de 90% da população já presenciou, direta ou indiretamente, situações pejorativas contra esse grupo.

Portanto, a fim de ofertar uma melhora na qualidade de vida de indivíduos que enfrentam as adversidades do sobrepeso ou da obesidade, cabe às instituições formadoras de opinião, como escolas e núcleos familiares, fomentar uma mentalidade social baseada no entendimento acerca dos inúmeros aspectos negativos para a saúde do indivíduo e, também, desenvolver, precocemente, princípios básicos, como a tolerância e o respeito ao próximo, por intermédio de palestras no meio estudantil e amplos debates nos lares acerca desse assunto complexo. Ademais, urge à União apresentar aos brasileiros, por meio de peças publicitárias divulgadas nas redes sociais do Governo, o quão nocivos são esses atos discriminatórios, que vão contra a Carta Magna, são para o convívio social no país.