Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 20/05/2020
Em 2018, a OMS alertou que uma em cada oito pessoas no mundo é obesa. Porém, diferentes de outras doenças em que a sociedade se solidariza com o enfermo, a pessoa com acúmulo de gordura é visto de maneira abominável. Nesse contexto, é importante como a visões médicas e culturais afetam a população com sobrepeso e obesidade.
De início, vale ressaltar como os padrões de beleza da indústria afetam negativamente a visão poupular acerca da obesidade. Nesse cenário, desde os desfiles de grifes até filmes e clipes musicais, existe preferência clara de características físicas e nela está a preferência pelo magro. Nesse quadro, o corpo gordo é marginalizado e quase nunca assume papel de destaque. Assim, a sociedade acaba por assimilar um sentimento de atração pelo corpo magro e repulsa ao obeso.
Nesse viés, vale comparar a sociedade brasileira à série britânica “Outlander”: Claire Beauchamp, uma mulher do século XX passa por um fenômeno que a transporta para dois séculos atrás. Em outro tempo, ela se percebe deslocada e ao mesmo passo, todos a vêem como alguém diferente do meio meio em que vivem. Da mesma forma que a personagem principal, muitas vezes o obeso se vê preso a uma realidade que não a compreende, na qual essa repulsa acaba gerando na pessoa tristeza e até a mesma aversão pelo corpo que a sociedade tem.
Depreende-se, portanto, a necessidade de mudar a visão popular acerca da obesidade e sobrepeso. Para isso, é crucial que o MEC instrua as escolas a fazer debates nas aulas de biologia sobre esse tema. Tais atividades terão o objetivo de oferecer uma visão técnica e sensível sobre a obesidade e a forma como a sociedade a enxerga. Dessa forma, se poderá amenizar o preconceito e não fazer com que as pessoas se sintam como Claire Beauchamp mas sim sejam aceitas, pelo seu meio social e também por elas mesmas.