Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 16/04/2020

O avanço industrial propiciou diversas mudanças no estilo de vida da sociedade, no Brasil, foi durante a década de 1970, que se intensificou o aumento abrupto das jornadas de trabalho nas fábricas e, por conseguinte, uma distorção dos hábitos alimentares. Sob essa ótica, houve um aumento na procura por refeições rápidas e com maior teor calórico, em detrimento da própria saúde, fatores que culminaram no crescimento significativo do número de obesos. Nesse ínterim, houve uma grave ascensão tanto dos problemas relacionados à saúde - em decorrência, sobretudo, das deficiências do atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - quanto da exclusão social de pessoas acima do peso. Logo, são necessárias medidas de cunho Governamental e social para solucionar a problemática.

Em primeira análise, o sobrepeso e a obesidade não podem ser subestimados, uma vez que, através da alimentação desregrada, há o desencadeamento de diversas doenças cardiovasculares, hormonais e respiratórias, que podem levar à morte. Nesse sentido, acompanhamentos clínicos e cirúrgicos são essenciais para garantir a integridade dos pacientes, contudo, o SUS mostra-se insuficiente para prestar tal assistência a essas pessoas. Segundo um levantamento do Ministério da Saúde, no ano de 2018, foram feitas apenas 11.402 cirurgias bariátricas, número exíguo se levado em consideração os 13, 6 milhões de obesos no país. Desse modo, é indispensável maior investimento na saúde pública.

Em segunda análise, se encaixar nos padrões estéticos e ser aceito na sociedade são outros desafios a qual é assujeitado um obeso, haja vista, a falta de informação da população que sobrepõe a aparência até mesmo à saúde física e psicológica, sendo a intolerância uma chave para a propagação do preconceito. Para o filósofo Georg Heigel, a noção do belo, portanto, do que deve ser aceito socialmente como ideal, muda de acordo com a época em que se vive e não é definida em um só conceito. Dessa forma, é fulcral restabelecer as relações de respeito  independente da fisionomia.

Portanto, em virtude do dever do Estado em atender as necessidades da população com relação a saúde pública, e a superação de estigmas sociais; faz-se preciso que o Ministério da Saúde invista, por meio do remanejamento de verbas destinas ao atendimento de pessoas com obesidade e sobrepeso, no número de profissionais e centros cirúrgicos de todo o país, para atendê-los de forma mais adequada, além de expandir campanhas de acesso à informação, em escolas e universidades, sobre hábitos alimentares saudáveis, como fito de evitar o crescimento do número de jovens e crianças acima do peso. Ademais, a mídia e os demais veículos de informação devem incluir os conceitos de empatia e aceitação, de modo a barrar posicionamentos discriminatórios e a imagem negativa atribuída a pessoa obesa, a fim de reaver as mudanças, dessa vez benéficas, no estilo de vida, iniciadas em 1970.