Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 22/04/2020
No filme “Dumplim” da Netflix, dirigido por Anne Fletcher, é retratada a vida de uma jovem chamada Willowdean que sofre com a sua aparência fora dos padrões e com os olhares críticos por ser acima do peso. Além de lidar com a sua mãe, uma ex-miss que gosta de lhe dar apelidos ofensivos. Nesse sentido, a narrativa foca nas consequências do preconceito e na busca da personagem pela aceitação do seu corpo. Fora da ficção, é fato que essa é uma realidade vivida por grande parte da população obesa que, além de enfrentar os comentários maldosos, sofre com graves problemas de saúde que merecem uma maior atenção das autoridades à questão.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que uma entrave é a mentalidade de boa parte das pessoas em não achar que piadas, olhares e comentários ofensivos podem afetar de maneira negativa a vida de quem sofre com a obesidade. De fato, tal ocorrência se relaciona a ideia de “banalidade do mal” da socióloga Hannah Arendt, em que quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Isso se mostra evidente quando se vê em casa, nas ruas e, princialmente, nas escolas pessoas dando apelidos maldosos, colocando pra baixo e agredindo indivíduos acima do peso. Em consequência disso, o medo e o sentimento de exclusão leva a ansiedade, a depressão e, em alguns casos, ao suicídio da vítima. Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião pública e Estatística, 92% do brasileiros já praticaram ou presenciaram algum tipo de gordofobia.
Outro desafio enfrentado pelas pessoas acima do peso são os problemas de saúde causados pela má alimentação e pela falta de exercícios físicos. Tal comportamento acarreta em problemas como pressão alta, diabetes, problemas reumatológicos e ortopédicos, doenças cardiovasculares e o câncer. Por conseguinte, percebe-se que entre as causas do problema está o alto custo dos alimentos saudáveis, a grande disponibilidade e variedade de “fast foods” com preços mais acessíveis e a falta de conhecimento dos cidadãos sobre que tipos de alimentos são mais nutritivos e menos calóricos.
Assim, medidas exequíveis devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Para isso, o Governo em conjunto com o Ministério da Saúde deve criar um projeto que conscientize os indivíduos sobre a importância da alimentação saudável e dos perigos que o consumo de alguns alimentos podem trazer a saúde, através de propagandas televisivas e digitais. Como já dito por Kant, é no problema da educação que assenta o segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Portanto, o Ministério da Educação deve instituir na grade escolar palestras sobre a educação alimentar e aulas de ética que discutam sobre a tolerância e o respeito a todos. Para que os laços do preconceito sejam desfeitos e as pessoas possam se aceitar e se amar como são, assim como a personagem fictícia Willowdean.