Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 23/04/2020

Na obra “A República”, do filósofo grego Platão, é vislumbrado um sistema de governo ideal da polis, no qual a sociedade seria justa e livre de conflitos e problemas. No entanto, na contemporaneidade, o que se observa é o oposto do que o filósofo prega, uma vez que o problema da obesidade e sobrepeso no Brasil ainda é algo a ser discutido. Esse cenário adverso é fruto tanto da falta de qualidade de vida quanto da discriminação sofrida por esses indivíduos. Com isso torna-se necessário a discussão acerca do assunto.

Precipuamente, é vital pontuar que a falta de qualidade de vida deriva da baixa atuação do Governo. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, todavia, isso não ocorre no Brasil. Partindo desse princípio, pode-se aferir que devido ao atual modo de vida da população, principalmente nos grandes centros, caracterizado por uma rotina cronometrada, não há muito tempo de sobra para a prática de exercícios físicos e alimentação saudável, dado que alimentos processados e ultraprocessados, que fazem mal a saúde, são de preparo rápido ou instantâneo. Dessarte faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.

Ademais, é imperativo frisar que muitas pessoas acima do peso sofrem discriminação por estarem fora dos padrões impostos pela sociedade. Segundo o sociólogo E. Goffman, em seu conceito de Estigma Social, as pessoas estigmatizadas são aquelas que não possuem uma aceitação social plena por estarem desqualificadas por alguma marca ou sinal. Tendo como base isso, pode-se relacionar essa marca ou sinal a obesidade, que desvaloriza esses indivíduos frente essa sociedade padronizada. Isso auxilia a perpetuação desse quadro deletério.

Urgem, portanto, medidas para resolver o problema exposto. Destarte, cabe ao TCU direcionar capital que, por intermédio do Governo Federal, será revertido em programas de incentivo a empresas adotarem horários de lazer, oferecendo espaços de práticas de exercícios físicos, além de uma alimentação saudável, e, ao mesmo tempo, criar canais de denúncias de discriminação a essas pessoas, para que haja um meio desses indivíduos denunciarem quaisquer tentativas de estigmatização. Com tais medidas, os impactos nocivos da obesidade serão gradativamente sanados de forma que a coletividade atinja a utopia de Platão.