Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 24/04/2020

Atualmente muitos países do mundo sofrem com a epidemia do sobrepeso e da obesidade, no Brasil essa situação não poderia ser diferente. Segundo dados do Ministério da Saúde de 2019 aproximadamente 60% da população está com sobrepeso, desses, quase 40% são obesos. A vida contemporânea contribui bastante para esses dados, as pessoas lotam suas agendas com trabalhos, aulas e outros compromissos e passam a não ter tempo para se alimentar regularmente bem e se exercitar. Há também o fácil acesso a alimentos ultra processados com alto valor calórico e a falta de informação sobre alimentação e os riscos da obesidade. Tendo como consequência problemas de saúde (doenças como a hipertensão, diabetes, depressão, entre outros) e sociais como a gordofobia.

De fato, os problemas de saúde são as principais consequências da obesidade, responsável inclusive pelo o aumento de doenças mais sérias como AVC, doenças cardiológicas, ortopédicas, entre outras. Fazendo com que haja sobrecarregamento nas emergências de hospitais e na área de atendimento básico de saúde. O problema ocorre muitas vezes pela falta de conhecimento dessas consequências para a vida do obeso. Sendo assim, além do acompanhamento já realizado por médicos e enfermeiros é necessário que haja mais informação para a população sobre os malefícios de uma má alimentação   e uma vida sedentária.

Na série Insatiable, diponível na plataforma Netflix, é possível acompanhar a história de uma garota obesa que sofre preconceito de seus colegas de escola sendo xingada, vítima de brincadeiras de mal gosto e diversas vezes excluídas. Patty, a personagem principal, sofre visivelmente gordofobia. A situação muda completamente quando ela finalmente emagrece, se torna popular, começa a namorar e chega até a se candidatar a miss, mas as consequências de uma infância e adolescência com esse problema permanecem, Patty reage a compulsão alimentar provocando vômitos, comendo escondida, medo excessivo de engordar novamente e tem problemas de autoestima e confiança.

O filósofo Aristóteles disse “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens.”, ou seja, o problema da obesidade e da gordofobia devem ser tratados logo na infância. A escola deve agir por meio de aulas e palestras educativas para que as crianças se conscientizem desde cedo sobre a  prática de exercícios físicos e a alimentação conscientemente saudável e os riscos da obesidade para a saúde de forma que em casa possam ser um exemplo para o restante dos familiares, além de apresentar crescimento saudável. O mesmo deve ser feito com relação a gordofobia, para que as pessoas com sobrepeso não sofram preconceitos. Além disso, deve haver palestras educativas nos postos de saúde e hospitais para que a população adulta seja educada sobre alimentação e exercícios.