Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/04/2020

Em seu livro “A Condição Humana”, a filósofa alemã Hannah Arendt disserta acerca dos pilares da condição humana,  apontando para a presença de um círculo vicioso de alternância entre a saciedade e a insatisfação , no qual, ao ceder à vontade de se saciar à medida em que sente falta do vazio de outrora, o indivíduo se vê vulnerável a problemas. Tal obra, quando analisada, subsidia a análise crítica acerca do problema da obesidade no Brasil, cuja mitigação pressupõe uma análise panorâmica, a fim de compreender seus desafios, a saber, superficialidade no modo de tratar a questão e ausência de uma educação alimentar e física.

Cabe ressaltar, a princípio, que o modo de tratar a questão no País contribui para o impasse. Isso ocorre porque, partindo do pressuposto neurocientífico de negação da condição intrínseca das emoções, é possível compreender a influência das experiências sociais para a compreensão da realidade e, ao tratar o problema como uma questão exclusivamente física, os profissionais responsáveis ignoram esse aspecto, o que resulta em uma abordagem supérflua, destituída de resultados efetivos. De fato, a tese supracitada vai ao encontro da paráfrase das premissas analíticas expressas por Hannah Arendt, que analisam a complexidade do individuo, o que indica que suas particularidades devem ser levadas em consideração para a resolução de impasses. Tal desafio se deve, sobretudo, à falta de uma cultura que incentiva e dá relevância ao tratamento psicológico.

Outrossim, a ausência de uma educação alimentar e física no Brasil favorecem a permanência do problema. Sob o mesmo prisma, ao não conhecer a fundo alimentos saudáveis, assim como formas diferentes de incorporá-lo à dieta diária, crianças e adolescentes desenvolvem uma rotina marcada pela ingestão excessivas de alimentos que vão de encontro  à sua saúde e pelo sedentarismo, o que pode agravar a saúde física e mental. Com efeito, tal assertiva  é confirmada pelos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, que apontam para um índice de 40% de sedentarismo, aliado a problemas ocasionados pelo sobrepeso, na população brasileira, o que ressalta a importância da resolução. Nesse sentido, é correto afirmar que tal aspecto é reforçado pela falta de discussão do tema.

Destarte, a observação critica dos fatos sociais ressalta a necessidade de combater a obesidade no Brasil. Para isso, o Poder Executivo e o Poder Legislativo deverão, respectivamente, solicitar uma maior parte dos tributos arrecadados à Receita Federal e ratificar tal solicitação, mediante a Lei Orçamentária Anual. Essa medida visa possibilitar a contratação de mais psicólogos para a rede publica de saúde, visando democratizar seu acesso, bem como a realização de palestras nas escolas, ministradas por nutricionistas,com o fito de , aos poucos, subverter a realidade exposta por Hannah Arendt.