Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 28/07/2020

Sabe-se que o direito à saúde é um dos princípios fundamentais da República Federativa do Brasil, garantido pelo artigo 6° da Constituição Federal de 1988. No entanto, a questão da obesidade e do sobrepeso postergam diretamente o exercício desse bem por parte da população. Logo, tal fato se deve especialmente aos péssimos hábitos alimentares regentes no país e tem como principal consequência danos à saúde física e psicológica.

Em primeiro plano, cabe analisar o modo com a população brasileira se alimenta. Nesse viés consoante o filósofo Francis Bacon, o comportamento humano é contagioso, torna-se enraizado à medida que se reproduz, o que pode ser aplicado à tendência mundial da ingestão de fast foods e de outros alimentos industrializados, que em sua maioria não possuem um bom valor nutricional, porém são cada vez mais rotineiros na vida da população brasileira. Desse modo, a grande maioria dos indivíduos torna-se obesa, ainda que não disponha de grande quantidade de nutrientes.

Ademais, urge ressaltar os prejuízos adquiridos em decorrência da problemática. Nesse sentido, além dos danos físicos como doenças cardiovasculares, pessoas com obesidade ou sobrepeso são vítimas constantes de gordofobia - prática que pode ser relacionada ao discurso da eugenia, o qual valida a segregação por qualidades físicas ou mentais - o que pode causar inúmeros transtornos psicológicos, como a bulimia e a depressão. Desse modo, tem-se o preconceito com tal classe como uma anomalia inerente à sociedade brasileira.

Diante dos fatos supracitados, medidas são necessárias com fim de reduzir os impactos da obesidade e do sobrepeso do Brasil. Portanto, compete ao Ministério da Saúde fomentar a discussão a respeito da importância de manter uma alimentação balanceada e de reduzir a ingestão de ultraprocessados, por meio de projetos em escolas e em espaços públicos por todo o país, que contem com a presença de nutrólogos e de nutricionistas, com o intuito de reduzir a taxa de pessoas com maus hábitos alimentares. Além disso, cabe ao Ministério da Educação realizar palestras e rodas de conversa que problematizem o bullying, especificamente a gordofobia, com o propósito de estabelecer uma sociedade futura com menos discriminação, bem como de minimizar os problemas psicológicos que tenham essa causa. Destarte, o Brasil será mais coerente com o que redige em seu Contrato Social.