Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 13/05/2020
Na obra cinematográfica “Sierra Burgess é uma loser” a protagonista sofre preconceito por não se encaixar nos padrões de beleza impostos no ensino médio, em especial, pelo fato de estar acima do peso. Fora da ficção, no Brasil, a obesidade e o sobrepeso é uma problemática que não só está relacionada ao preconceito social, mas também a preocupação médica quanto aos riscos de doenças provenientes desse perfil alimentício. Nesse sentido, essa realidade vem crescendo no contexto hodierno, seja pelos maus hábitos alimentares dos indivíduos, seja pelo estilo de vida sedentário.
Nessa perspectiva, é notório que a persistência no consumo excessivo de alimentos inadequados por majoritária parcela social esteja entre os principais desafios que inviabilizam o combate a essa questão. Essa imperfeição fomenta consequências deletérias na qualidade de vida desses indivíduos, haja vista o reflexo imediato da opção alimentar no aspecto físico das pessoas. Sob essa perspectiva, o filósofo sul-coreano Byung Chul-Han descreve a geração hodierna como “sociedade da autoexploração”, detalhando que o ritmo de vida acelerado impulsiona esses indivíduos à negligenciarem uma boa alimentação. Logo, urge que as instituições de ensino atuem no enfrentamento desse complexo estigma.
Outrossim, o estilo de vida sedentário escolhido por muitas pessoas vem aumentando consideravelmente, sobretudo, a partir do século XXI, diante da ascensão da “Era Digital”, em que os meios tecnológicos proporcionaram um comodismo social devido alguns benefícios no cotidiano, como ao permitir o desenvolvimento de tarefas sem sair de casa, além de “seduzir” esses indivíduos com as plataformas de entretenimento. Em face desse paradigma nefasto, tal postura estimula o surgimento de problemas graves na vida dessas pessoas, como hipertensão ou doenças cardiovasculares. Diante desso, é válido destacar a influência provocada pela cultura de massa através de propagandas que estimulam o consumo de comidas de alto poder calórico, contribuindo negativamente com a resolução dessa problemática. Assim, cabe as mídias, com seu poder de influência, agir atenuando essa situação.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de enfrentar os problemas referentes à obesidade e ao sobrepeso no Brasil. Para tanto, a escola, como instituição responsável pela formação de indivíduos, deve incentivar o ensino a educação nutricional, por meio da discussão sobre a importância de uma alimentação saudável, como nas aulas de biologia, com o fito de mudar os hábitos alimentares. Ademais, os meios de veiculação em massa devem influenciar positivamente à população brasileira em adotar um estilo de vida sadio, por meio de campanhas que apoiem essa causa. Somente, assim, as situações sofridas pela personagem Sierra ficariam somente na ficção.