Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 18/05/2020
Cícero, grande estadista e escritor romano, já dizia: “A saúde é conservada pelo conhecimento e observação do próprio corpo”. Nesse sentido, podemos observar que infelizmente no Brasil, a obesidade tornou-se um produto tanta da falta de conhecimento da causa, quanto pela ausência de observância quanto ao lidar com pessoas com essa enfermidade. Desde o início da revolução industrial, os trabalhos profissionais tornaram-se mais ociosos, os produtos alimentícios mais calóricos, e o preconceito social em relação à esta doença, mais acentuado. Tal realidade é incompatível com um projeto de sociedade saudável. Portanto, para a construção de uma sociedade melhor, é necessário combater tanto a obesidade quanto o preconceito relacionado à ela.
A priori, o modelo produtivo da nossa sociedade parece ter produzido indivíduos cada vez mais sedentários, e consequentemente, longe daquilo que é saudável. Segundo o doutor Drauzio Varella, a obesidade tem se tornado uma doença com vários fatores em nossa sociedade; mas, acima de tudo, o principal fator que contribui à esse problema é o sedentarismo. Nessa lógica, Geoffrey Blainey em seu livro “Uma Breve História do Mundo” demonstra que a abundância de alimentos e o trabalho sedentário, fatores da era contemporânea, garantiram a possibilidade do sobrepeso. Logo, é o sedentarismo um dos maiores inimigos da saúde, uma vez que constitui-se como principal causador da obesidade.
No entanto, a obesidade e outras doenças provocadas por ela, não são uma problemática maior que uma doença ainda mais grave: a discriminação. Conforme retratado na série “This Is Us”, uma das personagens principais é discriminada e alvo de inúmeros casos de gordofobia ao longo de sua vida, desenvolvendo posteriormente, na fase adulto, transtornos, problemas alimentares, e alguns sintomas da depressão. Assim como explica em seu livro “O Suicídio”, Emilé Durkheim chega à conclusão que a não aceitação da pessoa na sociedade é um dos fatores que causam o suicídio. Dessa forma, o preconceito se torna uma patologia tal letal quanto a doença da obesidade em si.
Destarte, se faz necessário a atuação pública e social no combate tanto contra preconceito quanto à obesidade, para que assim possamos construir uma sociedade melhor. Cabe ao Ministério da Saúde, promover e popularizar a prática do esportes por meio de competições em âmbito municipal, esperando assim que a atividade física se torne comum e próxima à realidade dos indivíduos, ou ao menos, uma alternativa a um estilo de vida sedentária. De igual modo, é papel da sociedade integrar as pessoas tratar de forma isonômica as pessoas com obesidade, através da conscientização de que a obesidade é uma doença como qualquer outra, fazendo com que as pessoas com essa doença possam se aceitar como são. Em síntese, é de suma importância nutrir a sociedade com saúde, tolerância e fraternidade.