Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 18/05/2020
A obra cinematográfica “Dumplin”, lançada em 2018, conta a história de Willowdean, que, por estar muito acima do seu “peso ideal”, é alvo de constante bullying pelo ciclo social em que está inserida - até mesmo pela própria mãe, que é uma ex-miss. Fora da ficção, é evidente que a trama da personagem pode ser diretamente associada a realidade vivida pelos inúmeros indivíduos com obesidade no Brasil, e, visto que muitas vezes esse é um problema ligado a aspectos psicológicos, o padrão estético imposto é um dos maiores vilões para a preservação da saúde mental dessas pessoas.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que a obesidade está ligada diretamente ao desequilíbrio, entretanto, não somente conexo a hipoatividade ou maus hábitos alimentares, mas também à instabilidade emocional. Segundo a psicóloga clínica, Raquel Berg, autora do livro “Uma Análise Freudiana da Obesidade”, do ponto de vista psicológico, a obesidade é uma expressão física de um desajustamento emocional. Transtornos como ansiedade e estresse são regularmente apontados como agravadores do aumento do peso corporal, o que abre a discussão ao fato de que nem sempre a obesidade é responsabilidade da pessoa como um todo.
Por conseguinte, é evidente que a gordofobia é um termo que tem ganhado visibilidade, e os discutidores sobre o motivo da mesma entram em consenso sobre o que pode-se dizer ser o principal fator para o preconceito: os padrões estéticos. Segundo dados da Pesquisa Estética Global anual de procedimentos, realizada em 2017 pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil é o segundo país que maís realiza procedimentos estéticos. O corpo dos brasileiros, nesse caso principalmente o feminino, é cada vez mais explorado e hiperssexualizado, o que, consequente, contribui ainda mais para a exclusão de pessoas gordas no corpo social, já que não se encaixam dentro do padrão imposto pela ditadura da beleza.
Dessarte, é indispensável a ação do governo para a resolução do impasse. Para a sensibilização da população, urge que Ministério da Saúde, em parceria com os grupos de comunicações, crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias acessíveis a todos, nas quais informem a função do preconceito no agravo do transtorno de obesidade, que advirta sobre o perigo dos padrões estéticos e a dicotomia social causado pelo mesmo, para que as pessoas que sofrem com o excesso de peso, possam se sentir incluidas novamente a sociedade hodierna, e tenham disposição para cuidar de si mesmas. Só assim, será possível estourar a bolha que os padrões estético criou na cabeça dos indivíduos, e, ademais, transformar o Brasil em um país mais inclusivo e saudável.