Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 19/05/2020
É fato que a mídia do século XXI revolucionou a perspectiva individual de cada sujeito social. Nesse contexto, os padrões de beleza perpetuados por corporações multimilionárias através de mídias sociais, promovem o preconceito crescente contra quem não se enquadra em tais padrões — como as pessoas acima do “peso ideal”. Assim, o problema do sobrepeso e da obesidade, no Brasil, é, por muitas vezes, debatido erroneamente como uma problemática estética e não sanitária, perpetuando um prejulgamento que prejudica a saúde mental desses indivíduos e acaba servindo como causa para agravar tal situação, assim como o sedentarismo.
Cabe mencionar, em primeiro lugar, a passagem dos seres humanos de nômades para sedentários, ocorrida no Período Mesolítico. Nesse sentido, a espécie parou de deslocar-se constantemente em busca de novos lugares, mas a movimentação física para fins agrários e de sobrevivência ainda eram mister. Entretanto, na sociedade hodierna, essa movimentação não é mais necessária, já que a tecnologia e o mundo globalizado promoveram aplicativos — como iFood e Uber — que fornecem e suprem a premência sem necessidade de locomover-se ativamente. Depreende-se, a partir disso, como o sedentarismo é parte da nova identidade global, servindo de alicerce para dados como o da OMS, que apontam a obesidade como a segunda maior causa de morte no mundo.
Ademais, vale ressaltar o papel da saúde mental nessa problemática. Por conseguinte, a obesidade é intimamente relacionada a problemas psicológicos, já que distúrbios como depressão e ansiedade estão comumente ligados a disfunções alimentares, como o sobrepeso e a obesidade. Nessa conjuntura, a seara midiática exerce um papel maligno, usando a psicologia do inconsciente para eternizar padrões de beleza extremamente magros, incentivando, assim, esses problemas psicológicos de maneira negativa.
Em síntese, fica clara a necessidade de intervenção civil e estatal para amenizar a problemática. O Governo deve, por meio do Ministério da Educação e das escolas, criar a matéria “Saúde e bem-estar”, onde será ensinado aos alunos a respeitar as diferenças físicas entre os indivíduos, desmistificar os padrões de beleza — relembrando sempre a diversidade biológica e corporal das pessoas — e ensinar a importância da alimentação saudável e da prática de exercício físico. Enfim, a partir dessas ações o respeito e a relevância de práticas beneficentes à saúde será enraizado nos futuros cidadãos brasileiros, trançando caminho para uma sociedade sadia, plural e harmônica.