Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 19/05/2020

O Dia Mundial do Combate à obesidade - comemorado em 4 de Março – foi criado com o objetivo de acabar com os estigmas ligados ao excesso de peso. Porém, mesmo com diversas campanhas em prol da causa, é evidente que a gordofobia é uma problemática presente na sociedade brasileira que deve ser combatida, pois ocasiona problemas psicológicos e físicos às vítimas e atrapalha o combate dos malefícios do sobrepeso excessivo. Dessa forma, é válido afirmar que o preconceito atenua os índices de obesidade, que por sua vez é fator de risco para outras doenças.

Cabe analisar, em primeiro plano, que o preconceito incita transtornos alimentares e, consequentemente, aumenta o índice de obesidade. Segundo uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina Perealman da Universidade da Pensilvânia, quem sofre de gordofobia tem maior probabilidade de adquirir depressão, ansiedade e baixa autoestima, por isso muitas pessoas obtêm compulsão alimentar e sedentarismo. Dessa maneira, tal situação agrava o quadro de saúde das vítimas, além de atrapalhar na superação dos mesmos e, em circunstâncias extremas, alguns chegam ao óbito precocemente, conforme a pesquisa. Portanto, é indispensável que haja uma mudança na visão social a respeito da obesidade, a fim de acabar com essa problemática.

É importante ressaltar, em segundo plano, que o sobrepeso excessivo é consequência de vários fatores e deve ser prevenido ou tratado de maneira eficiente, pois pode causar outros distúrbios físicos. Conforme o Centro Multidisciplinar de Tratamento da Obesidade, pessoas com excesso de peso são mais suscetíveis à adquirir enfermidades como hipertensão, diabetes e apneia do sono devido a acumulação de gordura e falta de uma dieta saudável. Tal problemática é comprovada através de uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica que indicou a ocorrência da apneia do sono em 70% das pessoas com demasiada adiposidade. Logo, a prevenção da obesidade contribui para a diminuição da taxa de outras doenças.

Em suma, é indispensável a elaboração de medidas preventivas à obesidade e a diminuição do preconceito. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde promover, por meio de verbas, aulas sobre educação alimentar e obesidade nas escolas, para que os estudantes sejam instruídos e assim não pratiquem a discriminação. Além disso, o Estado deve, por meio de Leis, criminalizar os atos de preconceito, a fim de eliminar as desigualdades sociais baseadas no peso. Dessa forma será formada uma sociedade mais igualitária e informada.