Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 20/05/2020
“Existe uma epidemia de obesidade no Brasil.”, disse o Dr. Drauzio Varella em uma reportagem na TV Globo, que relacionava o excesso de peso com a elevação dos riscos em caso de contágio pelo novo Corona Vírus. Nesse panorama, é sabido que, além de tal complicação, a obesidade é responsável por elevar a chance de adquirir ou de acentuar diversos outros problemas de saúde pública. Ademais, essa condição traz consigo um certo preconceito relativo à subversão de um padrão estético imposto. Portanto, é certo que tais problemáticas são latentes, bem como devem ser postas em evidência. Em primeiro plano, é válido ressaltar que a má nutrição e o sedentarismo, frutos de um estilo de vida que subestima a saúde, podem ocasionar excesso de peso e, também, acarretar em doenças crônicas, como diabetes e pressão alta. Nesse contexto, segundo o Ministério da Saúde, 57% do brasileiros estão com sobrepeso e outros 20% apresentam obesidade. Dados como esses reforçam a preocupação com uma possível sobrecarga do Sistema Único de Saúde no Brasil, haja vista a grande demanda por cirurgias bariátricas e por tratamentos de doenças relativas à obesidade. Sob tal ótica, a falta de educação e consciência sobre os riscos de uma vida sedentária são extremamente prejudiciais e reduzem o bem-estar social.
Somado a isso, a “gordofobia” - recente denominação relativa ao preconceito contra pessoas com excesso de peso - é mais um impasse no que se diz respeito à dignidade desses indivíduos no país. Nesse sentido, o estigma social que associa o sobrepeso a problemas de saúde se torna um pretexto para que os portadores dessa condição sejam discriminados e julgados somente pela estética. Com isso, há uma pressão social que recai sobre o indivíduo a fim de fazê-lo seguir um padrão corporal imposto, caso contrário poderá ser alvo de “bullying” e opressão. Tal análise pode ser observada sob a perspectiva do filósofo Pierre-Bourdieu, já que a violência simbólica, que é imperceptível e está na forma como se vê o mundo, legitima a violência na prática. Logo, é imperioso que se note como esse preconceito diminui a chance de algumas pessoas obterem uma saudável convivência social.
Posto isso, não há dúvidas de que precisa haver mudanças no atual cenário brasileiro. Para tanto, é necessário que as instituições escolares, em parceria com as famílias, integre processos de educação alimentar, física e moral dos alunos, por meio da oferta de alimentos saudáveis e de atividades extracurriculares esportivas, bem como sessões periódicas de palestras com profissionais da saúde e educadores físicos para pais e alunos sobre o preconceito dirigido a pessoas com sobrepeso. O objetivo dessa ação é formar jovens e crianças conscientes sobre as consequências da obesidade e o problema da discriminação estética. Com esse aparato, o Brasil poderá promover amplo bem-estar.