Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 25/05/2020
O conceito de modernidade líquida, explicado por Zygmunt Bauman, representa de forma clara o imediatismo da população brasileira atual, o qual leva, por diversas vezes, a uma má alimentação. Nesse sentido, o número de pessoas obesas e em sobrepeso vem aumentando absurdamente, nos últimos anos, trazendo à tona um outro problema que é o preconceito contra esses indivíduos. Diante de tal panorama, cabe entender os impactos na saúde decorrentes dessa questão e como a intolerância apresenta-se em diversos momentos como algo normalizado.
É importante pontuar, de início, que os hábitos da população, do Brasil contemporâneo, estão contribuindo para um aumento cada vez maior nos índices de obesidade. Isso ocorre em razão de uma vida agitada e aparentemente sem tempo que o capitalismo trouxe para as diversas sociedades. Nesse viés, Karl Marx passa a ter razão ao afirmar que a economia tem o controle de tudo, pois desde a Primeira Revolução Industrial, a frase “tempo é dinheiro” controla o comportamento das pessoas. Desse modo, essas optam por “fast foods”, comidas enlatadas e uma vida sedentária, podendo provocar diabetes, hipertensão e ataques cardíacos. Assim, nota-se que a persistência dessa forma de vida não permitirá um aumento na expectativa de vida dos brasileiros como vem acontecendo.
Cabe mencionar, em segundo plano, o grande preconceito enraizado na população contra aqueles que estão obesos ou acima do peso. Tal fato social patológico, chamado de gordofobia, foi naturalizado, ao longo dos anos, em que a própria família pratica ao dizer para as crianças que é feio ser gordo. Essa questão ainda é reforçada pelas mídias, visto que a Indústria cultural busca padronizar os gostos, logo, difundir a ideia de um corpo perfeito segue essa lógica, uma vez que todos passarão a comprar os mesmos produtos para chegarem no ideal de beleza. Percebe-se, com isso, que a saúde mental também é diretamente afetada, pois a pessoa não consegue se aceitar do jeito que é, o que piora ainda mais os efeitos físicos do excesso de gordura no corpo.
Em suma, apesar de os impactos da obesidade e do sobrepeso na saúde da população serem diversos, poucas medidas vêm sendo tomadas a fim de reverter esse quadro. Diante disso, urge que o Governo Federal junto com o Ministério da Saúde criem um programa televisivo,que passe nos horários nobres, em que por meio de profissionais de saúde dicas possam ser dadas sobre como melhorar a alimentação e perder peso. Tais dicas deverão ser feitas de acordo com exemplos de diversas realidades e para todas as idades, podendo associar com o uso de tecnologias como jogos e aplicativos interativos. Dessa maneira, e com campanhas governamentais que desnaturalizem a gordofobia, aos poucos o número de pessoas acima do peso diminuirá para um Brasil mais saudável e feliz.