Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 26/05/2020
Na Pré-história, a obesidade era sinônimo de fertilidade, haja a vista a representação da estátua conhecida como “deusa-mãe”, em que se observa um sobrepeso personificado. Hodiernamente, o contexto é antagônico, em virtude dos padrões de beleza deliberados pela sociedade. Nesse sentido, percebe-se a configuração do preconceito, mediante a violência simbólica. Ademais, visualiza-se a questão da obesidade como saúde pública, contudo, as ações do Estado ainda são insuficientes nos cuidados com esse público.
A princípio, consoante o sociólogo Pierre Bourdieu, a violência simbólica é realizada por imposições culturais de um grupo dominante sobre outro dominado. Sob essa ótica, é notório esse processo no preconceito contra os obesos, porquanto eles não se “encaixam” nos padrões sociais dominantes, logo, são visualizados como “anormais”, tendo em vista que o normal, para a maioria, é possuir um corpo dentro de um modelo. Por causa disso, irrompe diversos tipos de agressões psicológicas, tais como o bullying, que prejudica o harmonia social, podendo, inclusive, culminar em fobias sociais, visto que a mente da vítima é abalada. Dessa forma, é relevante a discussão desse assunto, principalmente, em ambientes escolares e nas redes sociais, despertando a crítica sobre os estereótipos.
Outrossim, o artigo 6° da Constituição determina a saúde como um direito social. Entretanto, esse conceito se encontra deturpado quando se trata dos cuidados com a obesidade, uma vez que os investimentos nesse processo ainda são escassos. Por consequência, aumenta-se o número de doenças relacionadas com excesso de peso. Sabendo disso, é importante a ação contínua do Estado no intuito de impedir esse processo e, consequentemente, garantir a qualidade na saúde da população, dado que se trata de um direito constitucional. Dessa maneira, políticas públicas de acesso às atividades físicas, bem como de aconselhamento nutricional, são passos significativos para reduzir as taxas de obesidade e, com isso, diminuir o risco de doenças.
Destarte, cabe ao Ministério da Educação a criação de um campanha chamada “Ditadura da Beleza”, na qual será criada uma “hashtag” nas redes sociais e, ainda, discussões nas salas de aula a respeito do preconceito contra obesos, mediante relatos de vítimas desse sistema, com o intuito de promover a criticidade sobre os padrões de beleza impostos pela sociedade. Além disso, o Ministério da Saúde deve aumentar o número de espaços públicos de atividade física e, também, criar um sistema de atendimento nutricional, feito por nutricionistas, pelo telefone e pela Internet, com o fito de impedir doenças ligadas ao excesso de peso e, por consequência, promover o pleno desenvolvimento da qualidade de vida. Por fim, desmistificar o conceito da Pré-história.