Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 27/05/2020
O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando analisa-se o dilema entre a saúde e o preconceito no Brasil relacionado ao problema da obesidade e do sobrepeso, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade. Situações como essas são potencializadas ora pela influência midiática,aliada a inércia estatal, ora pela má formação socioeducacional.
Em primeira análise, fundamentando se na Teoria do Corpo Biológico, proposta pelo sociólogo Émile Durkheim, a sociedade atual configura-se como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo o Poder Público configura-se como um órgão falho, dado que não fiscaliza com precisão o que é transmitido pela mídia, em destaque as propagandas, enaltecendo as linhas de fast-food. Tal ineficiência, contribui para que esse meio “manipulador” seja alcançado de forma precoce entre o público infantojuvenil, entrave contribuinte para o aparecimento de doenças decorrentes da má alimentação, como a obesidade.
Outrossim, a má formação socioeducacional é um fator determinante para a permanência do entrave, visto que algumas instituições de ensino, possuem um ensino pragmático e pouco preparam os indivíduos para um desenvolvimento positivo em sociedade. Sob esse viés, a situação é agravada pelo o não engajamento no que diz respeito ao repassamento de informações e a não capacitação de profissionais para a disseminação acerca de como evitar o sobrepeso e os modos de prevenção. Tal situação vai ao encontro do pensamento de Edward Lorenz, em Teoria do Caos, em que afirma que uma pequena mudança no início de um evento pode acarretar problemas diversos e desconhecidos no futuro, sob essa óptica é notória que a menção de Lorenz tornou-se real, uma vez que a partir da omissão de informações o cenário poderia tornar-se caótico.
Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação do impasse. Para tanto, urge que o Estado promova a fiscalização de propagandas antes da divulgação, por intermédio de agentes capacitados em detectar problemas que determinado conteúdo pode influenciar e acarretar problemas para as menores idades, com o intuito de que menos pessoas possa sofrer com o problema da obesidade. Ademais, é importante que a escola insira nas grades curriculares assuntos voltados para a reeducação do público infantojuvenil, a partir da contratação de agentes capacitados, como nutricionistas para o acompanhamento da alimentação das cantinas e que também promova palestras lúdicas educativas acerca dos benefícios de uma boa alimentação, com isso o legado de Nietzsche tornará-se real e a sociedade atenuará o preconceito contra as pessoas acima do peso.