Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 28/05/2020
Certamente no século XXI com a modernização dos meios de transportes, tecnologias e inovação do processamento alimentício, a população tornou-se susceptível ao sedentarismo e má nutrição. Porém, na contemporaneidade a obesidade, de forma preconceituosa, é um fator caracterizante para a determinação da saúde individual, por isso a gordofobia passa a ser justificada como preponderância para oposição da qualidade de vida, porém, este fator deve ser analisado conforme a educação alimentar e física. Por conseguinte, é imprescindível que o Ministério da Saúde resolva esta problemática com o apoio de métodos propagandísticos.
Observa-se, em primeira instância, que o caráter intolerante da sociedade busca legitimar o preconceito sobre a obesidade, visto que o corpo idealizado é caracterizado como saudável. Dessa forma, no início do século XX surgiu a ideologia da Eugenia, a qual selecionava as características humanas conforme consideradas melhor patrimônio estético. Consoante a isto, a hostilidade acentuou no Brasil, devido à busca por padrões estéticos tidos como universais, e assim ocorre a coerção social relacionada ao peso. Logo, obesos sentem-se coagidos e pressionados de forma discriminada pela sociedade, o que torna a preocupação com o corpo meramente ideológica.
Em segunda instância, é fato que hodiernamente o modo de vida foi modificado com o surgimento de alimentos processados, assim como a ausência de práticas físicas. Conforme o relevante filósofo Zygmunt Bauman, na modernidade prevalece a instantaneidade associada ao consumismo, em analogia reconfigura os hábitos através da busca incessante pelas comidas rápidas (fast food). Em suma, a questão da vida saudável deve ser estudada por este viés - fatores relacionados a práticas cotidianas - e não estéticas, assim poderá ser passível de mudanças.
Evidencia-se, portanto, sobre a problemática do sobrepeso no Brasil não estar somente vinculada com a saúde, mas também com a intolerância histórica causada por ideologias individuais. Por isso, o Ministério da Saúde deve elaborar programas que concilie médicos e mídia, com fluxos informativos sobre mudanças comportamentais maléficas ao organismo, e dissocia-las essencialmente apenas ao peso corpóreo, de forma a minimizar o senso comum. Evidentemente, por meio destas ações a população evitará perpetuar a gordofobia e começará seguir conselhos médicos, com consequente melhora da condição de bem-estar.