Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 02/06/2020

A Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra, no século XVIII, vem à tona quando se fala em obesidade e em sobrepeso no Brasil. Isso porque, se antes a economia e o modo de vida eram baseados no rural, agora a realidade é uma sociedade urbana e industrial. Como efeito, o modo de vida sedentário, num tempo cada vez mais veloz, fez mudar os hábitos alimentares e comportamentais dos brasileiros. Nesta perspectiva, faz-se urgente avaliar as causas e as consequências do excesso de peso na contemporaneidade.

É preciso considerar, antes de tudo, a busca desenfreada da indústria alimentícia pelo lucro como um elemento propulsor da problemática. Nesse contexto, o documentário estadunidense “Super Size Me”, retrata uma experiência com foco na cultura do “fast food”. O diretor se alimentou apenas em restaurantes da rede McDonald’s, realizando neles três refeições ao dia durante um mês. O filme explora a influência das indústrias de comida rápida e expõe os efeitos maléficos, físicos e mentais, que os alimentos deste tipo de restaurante provocam. Desse modo, verifica-se a tendência das empresas de reduzir os custos de produção juntamente com redução da qualidade do alimento, desconsiderando os impactos na saúde dos indivíduos.

Além disso, é válido apontar a gordofobia como uma consequência desse impasse. A esse respeito, segundo a Constituição Federal, todos devem ser tratados de forma igualitária, sem qualquer discriminação. No entanto, muitos indivíduos preconceituosos associam gordos a preguiçosos e seres dotados de fraqueza moral. Diante disso, consequências negativas são geradas, como exemplo, relata-se que os gordos são discriminados e acabam recebendo menores salários, de acordo com o jornal “O Globo”. Percebe-se, desse modo, que as pessoas acima do peso são cidadãs de papel, assim como na teoria do jornalista Gilberto Dimenstein, uma vez que esses indivíduos possuem o direito à igualdade garantido apenas na Constituição. Em suma, a gordofobia é prejudicial à cidadania e deve ser erradicada.

Diante do exposto, percebe-se que medidas são necessárias para solucionar o óbice. Portanto o Ministério da Saúde deve criar um guia alimentar para a população brasileira com diversas dicas e sugestões para uma boa alimentação que será divulgado por meio de reuniões escolares, profissionais da área da saúde, propagandas televisivas e será disponibilizado online gratuitamente, a fim de que garantir o equilíbrio adequado entre o sedentarismo e o estilo de vida saudável. Ademais, as escolas necessitam levantar debates sobre a cidadania de indivíduos gordos, por meio de palestras, com o fito de evidenciar a igualdade e evitar a inferiorização das vítimas.