Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 04/06/2020
Promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os cidadãos o Direito à alimentação de qualidade e direito a igualdade social. Porém, as pessoas Obesas e com sobrepeso sofrem diariamente com o preconceito, com a autoestima e com a falta de inclusão social. Além disso, encontram dificuldades para se alimentar melhor devido à falta de conhecimento culinário, falta de opções e excesso de comidas industrializados. Dessa forma, parcela da população não desfruta dos direitos na prática.
Primeiramente, ao analisar o filme “O Amor é Cego”, vê-se o preconceito nas atitudes das personagens que criticam o homem por namorar uma mulher gorda, isso sugere o que muitos preconceituosos pensam: que é feio ou vergonhoso ter um parceiro fora do padrão de beleza. Soma-se a isso, piadas e ações gordofóbicas, que segundo o Instituto de Brasileiro de Opinião Pública,em 2017, 92% dos brasileiros já presenciaram ou praticaram gordofobia. Não só o preconceito entre pessoas está presente, como também entre empresas e consumidores. Algumas companhias aéreas exigem que o obeso compre duas passagens por ocupar um maior espaço no assento, segundo uma pesquisa na Califórnia. Nessa perspectiva, as Normas Brasileiras (NBR) estão presentes para que todo os estabele-cimentos e meios de transporte estejam hábeis para receber todo tipo de público, porém muitos deles ainda não se adequaram as normas, colocando, por exemplo, rampas, assentos e portas adequadas.
Em segunda análise, a má alimentação se faz presente no dia-a-dia das pessoas, agravando a situação de obesidade e sobrepeso. Desde criança o costume de ingerir produtos industrializados faz com que as pessoas optem por comprar coisas prontas e bem mais práticas para seus dias corridos. Pode-se perceber, portanto, que essa ação está ligada à cultura do consumismo, a qual sempre incentivará a compra de algum produto novo do mercado e, assim, os alimentos ricos em nutrientes são trocados para satisfazer, não ao corpo, mas sim a um desejo construído por essa cultura.
Portanto, cabe ao Ministério da Cultura elaborar programas em TV aberta, nos horários nobres, com profissionais, como psicólogos, mostrando como evitar a prática do preconceito pela gordofobia e como lidar com pessoas que sofrem com esse fato. Além disso, o Ministério da Saúde e as prefeituras devem levar as cidades, feiras com alimentos frescos e saudáveis, juntamente com nutricionistas para auxiliar a população como deve-se preparar os alimentos corretamente e suas inúmeras possibilidades de receitas. Essas atitudes devem ser postas em prática a fim de que o preconceito seja controlado, que as pessoas tenham melhor qualidade de vida através da alimentação e que desfrutem dos seus direitos universais na prática.