Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 06/06/2020

O filme Wall-e, produzido pela Pixar Studios, se passa no ano de 2700. Um dos cenários da obra é uma nave que comporta toda a população terrestre, esta completamente obesa sem conseguir se locomover sozinha. Todavia, não é necessário avançar no tempo ou adentrar a ficção para perceber a crescente gravidade desse problema. Nessa perspectiva, a obesidade e o sobrepeso se apresentam prejudicial tanto à saúde física quanto a mental.

Primeiramente, evidencia-se que a adiposidade ocasiona malefícios corpóreos irreversíveis tais como doenças crônicas cardíacas, respiratórias e articulares. Apesar disso, tal mazela avança em índices progressivos, principalmente, entre crianças, como mostra dados do Ministério da Saúde em 2018: 8,4% dos adolescentes brasileiros se enquadravam como obesos. Segundo a nutricionista, Mariana Ravagnolli, é a primeira vez na história que as novas gerações têm expectativas de vida menores que seus pais.

Ademais, assim como toda discrepância do padrão social, a corpulência é alvo de preconceitos, os quais acarretam distúrbios psicológicos. Em suma, o termo “gordofobia” engloba atitudes discriminantes desde humilhações pessoais até a desqualificação profissional, o que origina disfunções como baixa autoestima, anorexia, ansiedade e depressão. A exemplo, tem-se o nutricionista Erick Cuzziol que adotou o codinome de “nutricionista gordo”, após vencer uma depressão profunda proveniente do desemprego justificado na falta de credibilidade de sua profissão pelo seu peso de 140 kg.

Portanto, para conter o adoecimento da população, cabe às Secretarias Estaduais de Saúde promover assistência a esses enfermos. Por meio, então, das já existentes Unidades de Pronto Atendimento, dessa vez, como disponibilidade de suporte psicológico e nutricional. A fim de prover saúde para todos os cidadãos e, assim, cumprir o previsto na Constituição Federal: saúde como um direito.