Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 07/06/2020

O Estado surge a partir da necessidade de garantir os direitos naturais, tal como a liberdade e a vida, em seu modelo de gênese. Dessa forma, ao fundamentar-se na teoria lockeana e ao analisar o crescimento exponencial da obesidade brasileira, é fato que a negligência governamental em relação à manipulação midiática e o preconceito mostram-se como fatores que corroboram para o atual quadro. Logo, é mister a análise das causas que tornam tais impasses possíveis, a fim de solucioná-los.

Em primeira óptica, é inerente ressaltar que a mídia digital, por meio dos meios de comunicação, influencia na transição alimentar hodierna. Nesse ínterim, é possível relacionar tal manipulação ao conceito de Indústria Cultural, elaborado por Adorno e Horkheimer. A mídia atua como formadora de opinião, alienando e limitando a autonomia consciente. Dessa forma, propaga-se a crença de que o fetichismo da mercadoria trará felicidade. Portanto, é sepulcral combater o consumismo exacerbado, no caso, de alimentos industrializados, e consequentemente, combater a felicidade ilusória.

Sob outro prisma, é fato que, por se distanciarem do “corpo ideal”, proposto pela mídia, os obesos sofrem constantemente preconceito. Analogamente, o romance “O Prometeu Moderno”, escrito por Mary Shelley, explicita que a real monstruosidade do Frankenstein é o bullying e a rejeição que o monstro sofre pela humanidade, causando-lhe problemas e distúrbios psicológicos. Nessa perspectiva, o bullying, direcionado principalmente aos obesos, auxilia no crescimento da falsa ideia de fraqueza moral, direcionada a esses indivíduos.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de atenuar o sobrepeso no Brasil e seus impactos. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, atuar no ambiente educacional, por meio da inserção de aulas semanais na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com enfoque na conscientização acerca do papel da mídia como influenciadora no padrão de consumo e do impacto do preconceito na saúde mental dos indivíduos. Assim, será possível consolidar um Estado que garanta vida e a igualdade, tal como proposto por John Locke.