Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 07/06/2020
“O ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele”. A frase de Immanuel Kant, filósofo do século XVIII, para ele, a educação verdadeira não visa apenas transmissão de conhecimentos e de ensinamentos técnicos e habilidades, mas deve oferecer as condições de possibilidade para o educando tornar-se uma pessoa moral. Nesse sentido, o pensamento, apesar de histórico, reflete na atualidade brasileira. Desse modo, é fato que o pensamento pode ser relacionado às barreiras para uma alimentação saudável da população brasileira. Portanto, a falta de uma educação alimentar, somada a rapidez de um fast-food, enfatizam os resquícios históricos populares sobre a “lei do menor esforço” e progridem para uma nação obesa.
Em primeiro lugar, é importante analisar que, segundo o ministério da saúde, cerca de 55% dos adolescentes apresentam maus hábitos alimentares. Isso se deve, além dos fatores genéticos, a um crescimento da população sem educação de hábitos saudáveis. Nesse sentido, os jovens crescem sem perspectiva de uma vida saudável. Dessa forma, gerando dados como o divulgado pela “Vitigel”, no qual alarma o maior aumento identificado em relação à incidência da obesidade, que teve uma alta de 72% no período de 13 anos. Em suma, é preciso que o tema seja debatido, uma alimentação saudável reflete não apenas na saúde corporal, mas também na saúde mental dos indivíduos que a praticam. Logo, é inaceitável que nas escolas e universidades o tema não seja posto em pauta.
Em segundo lugar, é fato que a tecnologia aproxima o ser humano de uma vida mais sedentária. Como aponta o IBGE, em 2012, cerca de 6% da população infantil não pratica atividades físicas, sendo 20% da população jovem, de 10 a 19 anos, encontra-se acima do peso. Nesse segmento, o filósofo Platão compartilhava da importância do exercício, considerando-o fundamental na manutenção do equilíbrio de corpo e mente. Portanto, dados como o apontado pelo IBGE, levam ao entendimento de que o processo de renovação cultural do Brasil, além de imediatista, está pautado na busca do menor esforço, presente desde a era neolítica e reforçada com os avanços do homem.
Então, a educação alimentar no Brasil deve ser amplamente discutida. Para esse efeito, urge que o Governo Federal, juntamente ao MEC, implante nas escolas e universidades, matérias obrigatórias que discutam sobre como uma alimentação saudável, somada a prática de atividades físicas contribuem para uma vida melhor, com o efeito que o tema seja amplamente discutido entre os jovens e que os dados de obesidade entrem em declínio. Também, é necessário que o Estado promova mais campanhas de atividades físicas em Praças, a fim de que a população, em especial os jovens, tenha acesso a exercícios físicos. Assim, o Brasil deixaria de ter dados tão alarmantes quanto a obesidade.