Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 11/06/2020

“Insatiable’’, série televisiva da plataforma Netflix, retrata a história de Patty, uma adolescente que sofre preconceito por ser acima do peso. Embora ficcional, a trama destaca a busca insaciável da personagem pelo emagrecimento, independentemente, dos métodos utilizados. Tal contexto assemelha-se à atual realidade brasileira, na qual muitas pessoas sofrem preconceitos e buscam emagrecer de forma não saudável. Isso acontece, principalmente, devido à falta de da participação familiar e à associação do gordo ao como errado.

Constata-se, a princípio, que a maneira de relação da família com o indivíduo contribui para o aumento do sobrepeso. A cerca disso, o filósofo Coelho Neto destaca a importância da educação familiar na vida de uma criança e que com essa educação é revelada a virtude dos pais. Nesse sentido, a família é vital para ajudar na construção de futuros cidadãos com um bem-estar, físico, emocional e social. Sem essa educação, contudo, mais pessoas são prejudicadas, não apenas fisicamente, mas também psicologicamente. Paralelamente ao que ocorreu na série, ‘‘Os Treze Porquês’, em que Hannah, comete suicídio, sendo que alguns dos motivos para ela cometer isso foi a ausência dos pais e ter sofrido preconceito graças ao seu sobrepeso.

Vale salientar, além disso, a evidente influência da mídia digital na disseminação de padrões de beleza e do ‘‘corpo perfeito’’. No entanto, algo relacionado fora do padrão, depende inteiramente da época e do lugar, um exemplo disso, na Antiguidade, pessoas acima do peso eram vistas como um sinal de abundância. Dessa forma, hodiernamente, o que se prega como ideal, acaba afetando a vida de muitos sujeitos, que estão apenas acima do peso, mesmo não tendo problemas de saúde, como obesidade, diabete e hipertensão. Assim, torna-se evidente que a propagação de padrões considerados ideais e saudáveis contribui, significativamente, para a perda de autoestima, bem como colabora com o que houve em ‘‘Os Treze Porquês’’.

É imprescindível, então, priorizar a saúde e mudar o conceito de ‘‘corpo perfeito’’. Logo, o Ministério da Saúde - órgão responsável por promover o bem-estar populacional - deve criar campanhas de esclarecimento sobre autoestima, sobrepeso e obesidade. Isso precisa ser feito por meio de cursos e aulas gratuitas - as quais irão explicar que existem diferentes modelos de corpo e que nenhum deve ser considerado perfeito - administradas em locais públicos, como praças e escolas, haja vista que são lugares bem frequentados. A fim de aproximar a família e, consequentemente,  aumentar autoestima dos futuros cidadãos, quebrando padrões de beleza e enfatizar a saúde.  Destarte, aos poucos, o que aconteceu nas séries não se repetirá no Brasil.