Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 16/06/2020

Apesar de a Constituição Federal de 1988 assegurar o direito do acesso à saúde gratuita pelo SUS-Sistema Único de Saúde-, nota-se que muitas pessoas não usufruem dessa prerrogativa, tendo em vista a grande quantidade de indivíduos obesos e sobrepesos no Brasil. Desse modo, esse cenário exige ações mais eficazes do poder público, com o intuito de promover um emagrecimento saudável e combater o preconceito que essa parcela populacional enfrenta.

Em uma primeira análise, percebe-se o desacordo entre o que é assegurado na Constituição e o contexto real do país, uma vez que o Ministério da Saúde divulgou em 2018 que cerca de 20% da população brasileira é obesa. Esse nefasto paradigma atesta, sobretudo, que tanto a obesidade quanto o sobrepeso impactam negativamente na vitalidade daqueles indivíduos, pois colaboram diretamente com o aumento de enfermidades cardiovasculares e problemas nas articulações. Dessa maneira, é imprescindível que o poder público desenvolva medidas, como campanhas que promovam o emagrecimento de modo saudável, não por estética, mas por saúde, com o intuito de que os direitos constitucionais citados vigorem.

Outrossim, o sociólogo Zygmunt Bauman defende em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’ que o individualismo é um dos principais males da sociedade pós-moderna. Nesse sentido, esse pensamento de Bauman pode ser confirmado no contexto social com o resultado de uma pesquisa do IBOPE, a qual mostrou que quase 95% dos brasileiros já presenciaram ou praticaram a gordofobia. Dessa forma, esses atos afetam a saúde mental dessas vítimas, o que pode ocasionar a incidência de doenças psicológicas como crise do pânico e depressão nessa parcela populacional.

À luz dos argumentos supracitados, depreende-se que a obesidade e o sobrepeso trazem problemas tanto para a saúde física quanto mental. Assim, o Ministério da Saúde deve oferecer recursos para promover um emagrecimento saudável, por meio do acompanhamento com profissionais da área, como nutricionistas e médicos, a fim de melhorar a vitalidade dessas pessoas. Ademais, a mídia deve promover campanhas que combatam a gordofobia, divulgando em seus veículos de comunicação propagandas, com a finalidade de ajudar as vítimas desse preconceito.